Medvedev propõe retomar negociações sobre provisão de gás aos ucranianos

Moscou, 12 jan (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, pediu hoje à Ucrânia para garantir o trabalho dos observadores de forma a retomar o bombeamento de gás à Europa, e propôs resgatar as negociações sobre os fornecimentos diretos para os consumidores ucranianos.

EFE |

Em conversa por telefone com o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, o líder russo pediu que se faça "tudo o que for preciso para que os observadores internacionais cheguem o mais rápido possível aos lugares de controle e iniciem seus trabalhos" para supervisionar o trânsito de gás.

O líder russo ressaltou que, "imediatamente depois disso, a Rússia poderá iniciar os fornecimentos de gás para os consumidores europeus por território ucraniano e restabelecer gradativamente o regime normal de passagem", informou a Presidência russa.

Medvedev indicou que o reatamento dos fornecimentos é possível quando Moscou, Kiev e a União Européia (UE) assinarem novamente hoje o protocolo com as "Normas do controle sobre o trânsito do gás", agora sem as reservas da parte ucraniana, pelas quais "se perdeu muito tempo".

Horas antes, Yushchenko ordenou ao Governo ucraniano "garantir o trânsito de gás à Europa", após conversar com o presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, e Kiev assegurou que os observadores já se dirigiam aos pontos de controle.

O presidente russo afirmou que o país está disposto a retomar imediatamente as negociações entre as empresas de gás russa Gazprom e a ucraniana Naftgaz sobre as tarifas do fornecimento para a Ucrânia em 2009, disputa que motivou os cortes à Europa.

No entanto, ressaltou, "estas provisões serão realizadas a preços europeus de mercado", e não pelos preferenciais que a Gazprom oferecia à Ucrânia antes do conflito.

Medvedev destacou ainda que, após a atual crise entre Moscou e Kiev, o memorando bilateral de 2 de outubro "perdeu vigência e não pode servir de base para as negociações".

Pelo acordo, a Rússia tinha se comprometido a elevar por períodos as tarifas do combustível à Ucrânia, para chegar a preços de mercado em 2011.

O líder russo exigiu que a Ucrânia salde suas dívidas pelo combustível russo consumido em 2008, das quais tem pendentes US$ 600 milhões em multas, e pague o gás "desviado ilegalmente" este mês das entregas para a Europa.

A Rússia está disposta a estudar diversas formas de pagamento, incluindo um possível crédito à Ucrânia por parte da UE ou outros tipos de "relações econômicas", em alusão à possível participação na privatização de gasodutos ucranianos. EFE si/db

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