O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, prometeu ao colega francês Nicolas Sarkozy que a retirada das tropas russas da Geórgia seria finalizada entre quinta e sexta-feira.

"O presidente Medvedev anunciou ao presidente Sarkozy que a retirada das tropas russas será finalizada nos dias 21 e 22 de agosto, com exceção de um efetivo de 500 pessoas encarregadas de garantir a aplicação das medidas adicionais de segurança" previstas pelo acordo de 12 de agosto sobre o cessar-fogo, segundo um comunicado emitido pela presidência francesa.

Em Tbilisi, o ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, acusou a Rússia de "não cumprir com sua palavra" sobre a retirada de suas tropas da Geórgia.

"Constatamos que a Rússia não cumpre com sua palavra", declarou Miliband durante uma entrevista coletiva, lembrando que o prazo estipulado para a retirada das forças russas expirou "segunda-feira ao meio-dia".

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta terça-feira para elaborar um novo projeto de resolução sobre a Geórgia, pedindo o respeito da integridade territorial do país e a retirada das tropas russas.

Os ministros das Relações Exteriores dos 26 países membros da Otan aprovaram nesta terça-feira em Bruxelas uma declaração comum estipulando que a Aliança Atlântica não pode continuar mantendo suas relações com a Rússia como se nada estivesse acontecendo.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, criticou duramente esta declaração.

"A Rússia vai tomar as devidas providências", avisou Lavrov, acusando a Otan de "proteger o regime criminoso" do presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.

A declaração da Otan sobre o conflito georgiano "não é objetiva e mostra uma visão parcial", acrescentou.

Esta crise deve piorar ainda mais as relações já tensas entre a Rússia e a Otan.

O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Groushko, advertiu para "problemas" na cooperação entre a Rússia e a Aliança, mais especificamente na ajuda russa no Afeganistão, nas possibilidades de tráfego aéreo e na luta contra o terrorismo e a não proliferação.

A marinha russa cancelou sua participação de manobras previstas no Mar Báltico no contexto da parceria com a Otan, e anunciou que não poderá receber uma fragata americana em setembro, como estava previsto.

Em Bruxelas, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, acusou a Rússia de não respeitar "por enquanto" o plano de paz negociado por Sarkozy e aceito pelos dois países.

A Otan "ainda não tem qualquer sinal de uma retirada russa da Geórgia", afirmou depois de uma reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores dos 26 países membros em Bruxelas para apoiar a Geórgia.

O Pentágono também declarou não ter observado qualquer retirada significativa.

A França está "muito decepcionada" com a atitude da Rússia, ressaltou o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner.

No terreno, uma coluna de blindados russos perto da cidade georgiana estratégica de Gori tomou a direção da Rússia, constatou um jornalista da AFP. Ela foi apresentada pelos militares russos como "uma das primeiras colunas a deixar a Geórgia".

Retiradas de tropas russos "estão acontecendo no mesmo momento em vários lugares diferentes", alegou o coronel Igor Konashenkov, porta-voz do Exército russo.

Os georgianos denunciaram imediatamente "um show destinado a criar uma ilusão de retirada".

Entretanto, 15 prisioneiros georgianos foram trocados por cinco russos em uma ponte de Igoieti, uma aldeia a 30 km de Tbilisi.

Moscou e Tbilisi chegaram a um acordo sobre o envio imediato de 20 observadores militares suplementares à "zona de conflito adjacente à Ossétia do Sul", província separatista da Geórgia. Antes do conflito, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) já tinha nove observadores militares na Ossétia do Sul.

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