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Medvedev pede pragmatismo do Ocidente sobre as regiões separatistas

Moscou, 26 ago (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, pediu hoje que Ocidente tenha mais pragmatismo na decisão de reconhecer a independência das duas regiões separatistas georgianas e que não entre em confronto com a Rússia, que não teme outra Guerra Fria.

EFE |

"Tudo está nas mãos do Ocidente. Caso se parta de uma posição pragmática, tudo ficará em ordem", disse o presidente em uma entrevista à rede de televisão "CNN".

Após anunciar em sua primeira mensagem televisiva dirigida à nação desde que chegou ao Kremlim que a Rússia reconhece a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, o presidente russo se dirigiu ao resto do mundo em entrevistas à "CNN" e ao canal de televisão em inglês "Russia Today".

Medvedev disse que sua decisão de mexer com a integridade territorial da Geórgia "não é um desafio" ao Ocidente, mas sim fruto de uma "postura pensada", e um "passo forçado" após o último conflito militar entre Tbilisi e a separatista Ossétia do Sul.

Segundo Medvedev, o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, "acabou com as esperanças de voltar a unir os povos da Ossétia, da Abkházia e da Geórgia em um só Estado", e a intervenção de Moscou serve para "evitar (...) a escalada do conflito e o derramamento de sangue".

Diante da reação negativa do Ocidente por esse passo, o chefe do Kremlin afirmou que a Rússia "não quer complicações" e "não é necessário uma Guerra Fria, nem uma nova edição da mesma", mas "relações construtivas com os parceiros ocidentais, inclusive com os Estados Unidos".

"O principal é que nossos colegas americanos sejam pragmáticos e defendam os interesses do povo americano, e não esquemas ideológicos artificiais", comentou.

Em entrevista à "Russia Today", Medvedev afirmou que Moscou não teme uma nova Guerra Fria com Ocidente, e pediu que se escolha entre a cooperação e o confronto com a Rússia.

"Não temos medo de nada, nem sequer à perspectiva de uma Guerra Fria, embora não queiramos uma", disse o chefe de Estado russo.

"Mas se optam pelo confronto, pois bem, vivemos distintas situações, também viveremos esta", ressaltou.

Ao justificar sua decisão de hoje, Medvedev citou a independência autoproclamada do Kosovo, aceita por muitos países do Ocidente apesar dos protestos da Sérvia e da Rússia, que tinha advertido que esse precedente "abriria a caixa de Pandora".

"Diziam que o Kosovo era um caso especial, mas cada caso é especial por sua natureza. Kosovo, Ossétia do Sul, a Abkházia, todas têm uma situação especial", recalcou.

Medvedev negou que a Rússia aplique uma política de dois pesos e duas medidas, pois "cada Estado decide por sua conta se deve ou não reconhecer um determinado povo como sujeito do direito internacional".

O presidente russo lembrou que Moscou também está preocupada com o plano dos EUA de desdobrar no leste europeu o polêmico escudo antimísseis, mas não rompe o diálogo com Washington, e destacou o papel da Rússia na ajuda com os problemas envolvendo o Irã.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, declarou que eventuais tentativas do Ocidente de impor sanções à Rússia não sortirão efeito.

"As sanções como método se desacreditaram totalmente na política internacional. Ninguém jamais conseguiu seus objetivos políticos com as sanções", disse o ministro de Assuntos Exteriores, segundo a agência de notícias "Interfax". EFE se/rr

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