Medvedev pede que mundo aprenda com conflito na Geórgia

Moscou, 12 set (EFE).- O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, comparou hoje a agressão georgiana à Ossétia do Sul com os ataques de 11 de Setembro nos Estados Unidos e pediu ao mundo que tire lições desse conflito, assim como em 2001.

EFE |

Acredito que "o 8 de agosto (dia em que as tropas georgianas entraram na região separatista da Ossétia do Sul) foi para a Rússia o mesmo que o 11 de Setembro para os Estados Unidos", disse Medvedev diante de um grupo de jornalistas e cientistas políticos russos e estrangeiros.

Ele ressaltou que se trata de uma "comparação exata, que corresponde com as realidades russas".

"Da tragédia de 11 de Setembro e de outros eventos trágicos para a humanidade" foi possível extrair lições. "Gostaria que o mundo tirasse lições também destes fatos (na Ossétia do Sul)", acrescentou.

O presidente russo afirmou que há regiões nas quais seu país "tem interesses" e acrescentou que "negá-lo não faz sentido" e é perigoso.

Medvedev declarou que os últimos acontecimentos no Cáucaso acabaram com as ilusões de que havia um real respeito à segurança mundial.

"Aqueles que acreditavam que existia uma ordem mundial justa, que o sistema de segurança era ótimo, que mantinha os contrapesos e que os principais envolvidos se encontravam em um estado de equilíbrio, compreenderam que isso não é assim", acrescentou o chefe de Estado.

Segundo ele, a segurança do mundo "requer uma intervenção importante de todas as forças construtivas para edificar uma nova estrutura de segurança".

Medvedev fez estas declarações em uma entrevista aos membros do Clube Internacional de Debate Valdái, que na véspera se reuniram com o primeiro-ministro Vladimir Putin, em Sochi, balneário às margens do mar Negro.

No encontro de ontem, Putin negou que a Rússia tenha ambições imperialistas e que atente contra a soberania das repúblicas que fizeram parte da União Soviética.

"Não temos nem teremos nenhuma ambição imperialista como querem nos acusar", disse.

O primeiro-ministro lembrou que a Rússia foi a promotora do fim da existência da União Soviética e que, se não fosse por ela, "a URSS existiria até agora".

"Tomamos essa decisão há muito tempo e não temos nem desejos nem motivos para atentar contra a soberania das antigas repúblicas da URSS", declarou.

Putin afirmou que se Moscou não tivesse defendido a região separatista georgiana da Ossétia do Sul, a Rússia teria recebido um "segundo golpe", em alusão à desestabilização do norte do Cáucaso.

Ele explicou que a autoridades russas detectaram a criação em algumas repúblicas russas do Cáucaso de organizações, que se a Rússia "não tivesse defendido a Ossétia do Sul, teriam lutado pela secessão".

Putin destacou ainda a necessidade de se chegar a acordos sobre normas comuns de conduta e de criar um novo sistema de segurança, e acrescentou que não vê motivos para um novo confronto entre a Rússia e o Ocidente.

"Não temos contradições ideológicas, não há fundamentos para uma Guerra Fria. Pelo contrário, temos muitos problemas comuns, que poderemos resolver com eficácia" através da união de esforços, disse o primeiro-ministro.

No entanto, Medvedev, em reunião ontem com os responsáveis do Ministério da Defesa, afirmou que uma das prioridades da Rússia é a modernização de suas Forças Armadas.

"Devemos nos concentrar no rearmamento. (...) nesta decisão influi a crise no Cáucaso, a agressão da Geórgia e sua contínua militarização", disse.

Muitos lembram agora as palavras que Putin disse à chanceler alemã, Angela Merkel, sobre seu sucessor poucas semanas antes de lhe entregar o comando do Kremlin.

Medvedev "é tão patriota e tão nacionalista quanto eu - no bom sentido da palavra, e não será mais fácil para nossos parceiros trabalhar com ele do que comigo, pois defenderá da maneira mais ativa os interesses da Rússia", declarou na época o premier. EFE bsi/ab/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG