Medvedev e Yanukovich impulsionam relações entre Rússia e Ucrânia

Moscou, 5 mar (EFE).- Os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e da Ucrânia, Viktor Yanukovich, relançaram hoje as relações entre os dois países, dando início à superação de um período que reduziu ao mínimo o vínculo político entre as maiores potências da antiga União Soviética.

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Yanukovich, presidente da Ucrânia desde a semana passada, chegou hoje à capital russa dentro de uma visita oficial que mostra a vontade de Kiev de melhorar as relações com Moscou.

A iniciativa do novo chefe do Estado ucraniano, considerado líder da população de língua russa do país, foi naturalmente bem recebida na capital russa.

"Confio que com sua chegada (ao poder), com seu trabalho como presidente, termine a sequência negra que houve nas relações entre a Ucrânia e a Federação Russa e alcancemos novos níveis de cooperação", disse Medvedev ao receber Yanukovich no Kremlin.

O presidente russo se referia à grande deterioração sofrida pelas relações entre Moscou e Kiev durante o mandato do antecessor de Yanukovich, Viktor Yushchenko, em particular nos últimos 18 meses, após a guerra pelo controle da região da Ossétia do Sul, na Geórgia.

O Kremlin acusou a Ucrânia de fornecer armas à Geórgia durante a disputa e de desenvolver uma política contra a Rússia.

"Faremos tudo para que as relações entre Ucrânia e Rússia não sejam como nos últimos cinco anos", disse Yanukovich após ouvir as palavras do anfitrião.

Ele destacou que as recentes eleições presidenciais em seu país não foram simples, mas democráticas, e mostrou confiança de que a política externa e interna da Ucrânia mudará de maneira significativa.

Após as negociações, os dois líderes participaram de uma entrevista coletiva de forma descontraída.

"Agora não há problemas, o importante é que o mais breve possível demos passos decididos para restabelecer a cooperação no âmbito econômico e político, e nos problemas de segurança", disse o chefe de Estado russo.

Medvedev e Yanukovich assinaram uma declaração conjunta que recolhe os princípios de acordo para esta nova etapa nas relações entre Moscou e Kiev.

"Acordamos que encarregaremos nossos Governos e ministros de desenvolver relações plenas e estudar as possibilidades de cooperação no âmbito energético", explicou Medvedev.

O presidente russo ressaltou que não se trata apenas de melhorar as relações, mas de um "renascimento".

Com esse fim, disse ser "necessário intensificar todos os vínculos, em primeiro lugar em nível de ministérios, Parlamentos, Governos e organizações sociais".

Yanukovich se referia ao aluguel de uma base no porto ucraniano de Sebastópol, no Mar Negro, que expira em 2017 e que Moscou quer prorrogar.

"Acho que muito em breve receberemos uma resposta que satisfaça Ucrânia e Rússia", disse o presidente ucraniano.

A declaração conjunta dos dois líderes aponta que "respeitando a liberdade de opção, de mecanismos e formas de participação dos Estados nos processos de integração econômica, Rússia e Ucrânia procurarão que essa participação não se distancie da cooperação bilateral".

O documento assinala que "Rússia e Ucrânia, esta em sua qualidade de Estado à margem de blocos, podem participar ativamente nos processos europeus de segurança".

Medvedev e Yanukovich acordaram também realizar durante o primeiro semestre do ano uma reunião de comissões oficiais de Rússia e Ucrânia.

Ao contrário de Medvedev, o presidente ucraniano não tem autoridade sobre o Gabinete de Ministros, que presta contas unicamente ao Parlamento.

Atualmente, a chefia de Governo ucraniano é exercida provisoriamente pelo número dois do antigo Gabinete da primeira-ministra Yulia Timoshenko, Aleksander Turchínov.

Segundo a Constituição ucraniana, o presidente pode nomear apenas os ministros de Assuntos Exteriores e de Defesa.

Enquanto o novo Governo ucraniano ainda não é formado, Yanukovich chegou a Moscou acompanhado de Petró Poróshenko, chanceler de Yushchenko. EFE bsi/rr

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