Medvedev e Chávez visitam frota russa na Venezuela

Caracas, 27 nov (EFE).- Os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e da Venezuela, Hugo Chávez visitaram hoje a frota russa que realizará manobras conjuntas com a Marinha venezuelana, após assinarem, em Caracas, uma renovada cooperação entre ambos os países.

EFE |

Ao concluir sua estadia oficial de dois dias na Venezuela, Medvedev partiu rumo a Cuba, última escala de uma viagem latino-americana que começou no Peru e continuou no Brasil.

No porto venezuelano da Guaira, a cerca de 30 quilômetros de Caracas, Medvedev e seu anfitrião venezuelano visitaram o destróier Almirante Chabanenko, um dos navios que atracaram no país sul-americano na terça-feira para os exercícios conjuntos previstos para 1º de dezembro.

A frota russa, integrada também pelo cruzeiro de propulsão nuclear Pedro, o Grande, que teve que parar fora do porto devido a suas medidas, participará de manobras que, segundo os dois presidentes, não devem preocupar a comunidade internacional.

A bordo da embarcação, os governantes assinaram um pré-contrato de compra de dois aviões comerciais russos com capacidade para cerca de 260 pessoas, que serão usados pela Conviasa, companhia criada pelo Governo de Chávez em 2006.

Da cobertura do destróier, Chávez brincou, cumprimentando a imprensa: "Nos vamos para Cuba".

Ontem, na primeira jornada da visita de Medvedev a Caracas, os dois presidentes assinaram outros sete acordos, entre eles um para exploração e refino conjunto do petróleo venezuelano e outro de cooperação nuclear com fins pacíficos.

Este último pretende promover "projetos bilaterais" em matéria nuclear, "especialmente aqueles que satisfaçam as necessidades internas energéticas e contribuam para a diversificação das fontes de energia", assinala o texto do tratado.

Em tudo isso, segundo Chávez, não há "nenhuma provocação a ninguém", embora no caso das manobras navais, tenha dito que constituíam "uma mensagem de independência", em aparente alusão aos Estados Unidos, que anunciaram que "vigiarão de perto" estes exercícios, que começarão em alto-mar no Caribe na segunda-feira.

Chávez e Medvedev anunciaram ainda que em dezembro será fundado um banco binacional russo-venezuelano, cujo capital inicial será definido em breve, embora se esperasse que ele fosse formalizado durante esta visita.

O presidente venezuelano ressaltou o caráter "estratégico" e de "benefício mútuo" de toda a relação com a Rússia, país que visitou este ano em duas ocasiões e do qual comprou material militar por cerca de US$ 3 bilhões nos últimos três anos.

Chávez voltará a Moscou em 2009, ao aceitar um novo convite de Medvedev, para desenvolverem ainda mais uma relação que tem "grandes perspectivas" para o futuro, coincidiram ambos.

E não só bilateralmente, acrescentaram ao reiterar que compartilhavam "desejos mútuos" a favor de um mundo "multipolar".

Precisamente, esta primeira visita oficial de um chefe de Estado russo à Venezuela começou ontem, imediatamente após Chávez encerrar em Caracas uma cúpula extraordinária da chamada Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), composta pelo grupo de governantes que apóiam seu projeto político-ideológico.

Da reunião da Alba, criada a pedido de Chávez como suposta contraposição ao Acordo de Livre-Comércio das Américas (Alca) idealizado pelos Estados Unidos, participaram os presidentes da Bolívia, Evo Morales; Honduras, Manuel Zelaya; Nicarágua, Daniel Ortega, e Equador, Rafael Correa, este último como observador.

O primeiro-ministro de República Dominicana, Roosevelt Skerrit, e o vice-presidente do Conselho de ministros de Cuba, Ricardo Cabrisas, também assistiram ao encontro, no qual os dirigentes se comprometeram a avançar rumo a uma zona monetária comum, em uma "resposta do Sul" à crise financeira mundial.

Diversos deles se ficaram em Caracas para um jantar privado com Medvedev, que Chávez convidou para aderir à Alba como observador, da mesma forma que, disse, fará em breve com países como Irã e China.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, "solicitou ser membro observador" da Alba e a China também mostrou interesse, destacou o governante venezuelano, ao que o russo disse seguir "com interesse e simpatia" o assunto e se mostrou "disposto a analisar e a pensar" uma eventual participação da Rússia no grupo.

"Nossa participação nesta associação poderia ser em qualidade de membro associado ou de alguma outra maneira. O desenvolvimento desta colaboração tem muitas perspectivas", acrescentou. EFE ar/jp

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