Medvedev e Chávez lançam manobras navais conjuntas históricas

O presidente russo, Dmitri Medvedev, e seu homólogo venezuelano, Hugo Chávez, passaram em revista nesta quinta-feira uma frota de quatro navios russos, que chegou na terça ao porto de La Guaira (norte), e inauguraram simbolicamente manobras navais conjuntas inéditas.

AFP |

Medvedev, que desembarcou na quarta-feira em Caracas, seguia nesta quinta à tarde para Cuba, última escala de sua viagem latino-americana que incluiu Brasil e Peru, onde participou da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

Sob um sol de rachar, Chávez e Medvedev foram recebidos esta manhã por centenas de marinheiros de uniforme branco, no porto de La Guaira, a 30 km de Caracas.

Na ponte do destróier "Almirante Chabanenko", o presidente Chávez brincou com a imprensa: "Nós partimos para Cuba!".

Em paralelo, os dois dirigentes assinaram um pré-acordo de venda de dois aviões de linha russos.

Além do destróier, a frota russa inclui o cruzador movido a energia nuclear "Pedro, o Grande", o navio-tanque "Ivan Bubnov" e o rebocador "Nikolay Chiker"

"Isso aqui não é dirigido contra ninguém, usamos do nosso direito e continuaremos a trabalhar com a Rússia na questão estratégica de defesa", destacou Chávez, antes de passar a frota russa em revista.

Programadas para acontecer entre 1º e 3 de dezembro, as manobras militares conjuntas, batizadas de "VenRus 2008", vão envolver 1.600 homens da frota russa e outros 700, do lado venezuelano, três fragatas, um veículo anfíbio e oito patrulheiros, além de dois caças Sukhoi, comprados recentemente da Rússia.

Segundo a Marinha venezuelana, além da troca de tecnologia, trata-se de exercícios de navegação, resgate e comunicação, assim como de operações de defesa antiaérea e de luta contra o tráfico de drogas.

Na quarta-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, minimizou as manobras russas, declarando que "não modificarão o equilíbrio de poderes na América do Sul".

"Assim como os Estados Unidos pensam poder ter boas relações e contatos militares com todos os países que desejarem, a América do Sul também pode", acrescentou.

Ontem, Chávez e Medvedev assinaram sete acordos, entre eles, um no setor nuclear civil, para permitir a diversificação das fontes energéticas venezuelanas.

A estatal venezuelana PDVSA e um consórcio de companhias russas assinaram um acordo de avaliação e exploração de petróleo na Faixa do Orinoco (leste), na esperança de chegar à produção de um milhão de barris por dia, anunciou o ministro da Energia da Venezuela e presidente da PDVSA, Rafael Ramirez.

O presidente russo convidou Chávez para visitar Moscou, em 2009.

Entre 2005 e 2007, Caracas firmou com Moscou 12 contratos de armamentos, no valor total de US$ 4,4 bilhões, e que incluíram a compra de 50 helicópteros de combate, 24 caças Sukhoi-30 e 100 mil fuzis Kalashnikov.

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