Medvedev e Castro querem levar a relação de seus países a um nível estratégico

O presidente russo Dimitri Medvedev e seu colega cubano Raúl Castro se comprometeram nesta sexta-feira a potencializar as relações bilaterais entre seus países na reunião que mantiveram no Kremlin e na qual foram assinados vários acordos bilaterais.

AFP |

"Temos condições favoráveis para levar nossas relações a um nível estratégico", afirmou Medvedev durante o encontro no Kremlin, segundo um comunicado conjunto.

"Creio que com sua visita começa uma nova etapa na história das amistosas relações entre Cuba e Rússia", acrescentou o presidente russo.

O líder cubano, que está no poder desde o início de 2006 quando seu irmão Fidel caiu doente, disse que ambos querem cimentar uma nova "aliança estratégica".

"Somos velhos amigos e hoje é um momento histórico, um ponto muito importante nas relações entre Rússia e Cuba", afirmou Raúl, segundo o comunicado.

Paralelamente ao encontro dos chefes de Estado, vários membros do governo cubano e russo mantiveram reuniões numa sala contígua.

No dia anterior, os dois dirigentes se reuniram em Zavidovo, perto de Moscou, num encontro informal para caçar.

A viagem de Castro, a primeira de um número um cubano à Rússia em mais de 20 anos, tem como objetivo relançar o comércio bilateral, que movimentou, segundo dirigentes russos, 239 milhões de dólares nos 11 primeiros meses de 2008.

Raúl Castro afirmou em entrevista que sua longa visita, até o dia 4 de fevereiro, contribuirá para dar novo impulso às relações bilaterais, depois da distância que se instalou entre os dois países após a queda da União Soviética, com a qual Cuba mantinha um vínculo privilegiado.

O embaixador de Cuba em Moscou, Juan Valdes Figueroa, qualificou a visita de "histórica", e ressaltou que Raúl Castro e Medvevdev se encontravam "como dois irmãos", segundo o jornal Kommersant.

Fidel Castro viajou à União Soviética em 1987 por ocasião do 70º aniversário da Revolução de Outubro.

Moscou teve o cuidado de ressaltar que sua reaproximação com a ilha do Caribe "não constitui, de nenhuma forma, um ataque a países terceiros", em alusão aos Estados Unidos.

Líderes políticos, empresários e dignitários religiosos russos viajaram a Havana nos últimos meses. Medvedev fez o mesmo em novembro passado, na primeira visita de um presidente russo a Cuba em oito anos.

Os dois países também pretendem dar prosseguimento à cooperação em matéria de defesa. Muitos equipamentos do Exército de Cuba provêm da extinta União Soviética.

Além disso, a Rússia decidiu em 2006 congelar a dívida cubana de mais de 20 bilhões de dólares, contraída na época soviética.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, frisou na semana passada que seu país, o décimo maior parceiro comercial da ilha, poderia conceder um novo crédito de 20 milhões de dólares para a compra de produtos russos.

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