Medvedev diz que WikiLeaks mostra 'cinismo' dos EUA

Presidente afirma que americanos "se divertiriam muito" se pudessem ler os documentos diplomáticos e da inteligência da Rússia

iG São Paulo |

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou nesta sexta-feira que os documentos secretos do Departamento de Defesa americano, divulgados nesta semana pelo site WikiLeaks, mostram o "cinismo" da política externa dos Estados Unidos.

"Não somos paranóicos e não atrelamos as relações Rússia-EUA a nenhum vazamento", afirmou Medvedev, em Moscou, em entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. "Ao mesmo tempo, os vazamentos são esclarecedores: mostram o cinismo das avaliações e julgamentos que prevalecem sobre a política externa do governo - e, no caso, estou falando dos Estados Unidos."

Medvedev ainda brincou dizendo que, se os Estados Unidos pudessem ler os documentos diplomáticos e da inteligência da Rússia, "se divertiriam muito".

Reuters
Berlusconi e Medvedev posam para fotógrafos em Moscou

Na quarta-feira, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, expôs seu mal-estar pelas caracterizações que os EUA fizeram dele e de Medvedev nos telegramas diplomáticos revelados pelo site "WikiLeaks", afirmando que não esperava tanta "arrogância, grosseria e falta de ética".

Em entrevista concedida a Larry King, da "CNN", Putin disse que as afirmações de diplomatas americanos em um dos telegramas de que ele é 'Batman' e Medvedev é 'Robin' têm o objetivo de "desonrar" os dois. "Para ser honesto, não esperávamos tanta arrogância, grosseria e de forma alguma tão pouco ética", disse Putin, que avaliou, no entanto, que o vazamento "não é uma catástrofe".

'Estado mafioso'

Entre os documentos vazados, destaca-se também um comunicado da embaixada dos EUA em Madri no qual a Rússia é chamada de "Estado mafioso", assolado por casos de corrupção e redes de extorsão.

A mensagem enviada a Washington revela que, em janeiro de 2010, o promotor espanhol Jose "Pepe" Grinda González afirmou que Rússia, Bielorrússia e Chechênia haviam se tornado na prática "Estados mafiosos", onde "não se pode diferenciar atividades do governo e de grupos de OC (sigla em inglês para crime organizado)".

Grinda diz ainda ter informações de que alguns partidos políticos russos operam "de mãos dadas" com o crime organizado.

Ele afirma também que o aparato do governo em Moscou - em particular serviços de segurança - tinham ligações próximas com a máfia. O promotor é conhecido por ter liderado uma longa investigação sobre o crime organizado na Espanha, que levou a mais de 60 prisões.

Outro documento fala sobre "a pergunta sem resposta" sobre o quanto Putin estaria envolvido com a Máfia, e o quanto ele controlaria as ações do crime organizado russo. Entre as mensagens diplomáticas vazadas está ainda um relatório do embaixador americano na Rússia John Beyrle sobre a corrupção em Moscou.

Berlusconi

Diplomatas americanos também relataram suspeitas de que o premiê italiano, Silvio Berlusconi, poderia estar "lucrando pessoalmente" com acordos secretos com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, de acordo com o jornal britânico Guardian citando telegramas diplomáticos divulgados pelo WikiLeaks.

Exasperada pelo comportamento pró-Rússia de Berlusconi, a embaixada americana detalha alegações que circulavam em Roma de que o líder italiano recebeu a promessa de uma redução nos valores de grandes contratos de energia.

Os dois líderes são reconhecidamente bem próximos, mas essa é a primeira vez que surgem alegações de um vínculo financeiros entre ambos.

Com AFP e BBC

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