Moscou, 25 ago (EFE).- O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou hoje que seu país não sofrerá nada terrível se a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidir romper suas relações com Moscou.

"Se eles (os países da Aliança) decidirem romper totalmente as relações, não ocorrerá nada terrível para a Rússia", disse o chefe do Kremlin, citado pela agência "Interfax", em reunião com o embaixador russo na Otan, Dmitri Rogozin.

Medvedev afirmou que a Rússia, "durante um tempo suficientemente prolongado, tentou desenvolver suas relações com a Aliança".

"Mas queríamos relações plenas, em pé de igualdade, e não viver de ilusões, quando em nosso redor são criadas bases e a Otan capta novos Estados, e nos dizem: 'não se preocupem'. Não precisamos dessas ilusões", disse o presidente russo.

Acrescentou que a cooperação Rússia-Aliança Atlântica "é de interesse, em primeiro lugar, da Otan, e não da Rússia".

Na quinta-feira passada, o ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse que Moscou "não fechará as portas" para a cooperação com a Otan, apesar do apoio dispensado à Geórgia durante e depois do conflito na Ossétia do Sul.

"A Rússia não precisa mais da Otan do que ela precisa de nós. A cooperação deve ser mútua", afirmou Lavrov, segundo as agências russas.

Como exemplo do interesse da Otan em continuar cooperando com a Rússia, Lavrov citou o Afeganistão, cenário onde "está em jogo o futuro da Aliança Atlântica".

"A ajuda da Rússia é crucial para a Otan", ressaltou.

Em abril, a Rússia assinou um acordo com a Aliança para facilitar o trânsito através de seu território de material civil e militar com destino à missão da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) no Afeganistão.

"Tudo depende das prioridades da Otan: se a prioridade é o apoio ao regime de (Mikhail) Saakashvili em prejuízo da associação com a Rússia, isso não é culpa nossa", disse, referindo-se ao presidente georgiano.

Lavrov rejeitou a declaração emitida pelos ministros de Exteriores dos países aliados, que considerou "desproporcional" a ação militar russa na Geórgia.

O ministro russo criticou a Otan por "tentar transformar o agressor em vítima, justificar o regime criminoso, salvar um regime que está afundando e apostar no rearmamento" da Geórgia. EFE bsi/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.