Moscou, 20 mar (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou hoje a um grupo de ex-secretários de Estado e ex-senadores americanos confiar em que seu primeiro encontro com Barack Obama, em Londres, sirva para mais do que eles saírem juntos na foto.

"Espero que não seja somente um encontro para nos conhecermos, mas uma troca de opiniões completa sobre toda a agenda bilateral e assuntos internacionais da atualidade", disse Medvedev sobre a reunião que terá em 1º de abril com o novo presidente dos Estados Unidos.

O presidente russo reuniu-se com um grupo de veteranos políticos norte-americanos liderado pelo ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que prepara seu encontro com Obama em Londres e a primeira visita deste a Moscou, em maio ou julho.

Rússia e EUA depositam muitas esperanças nessa primeira reunião, a partir da qual esperam melhorar suas relações, abaladas durante a Administração anterior de George W. Bush, em particular devido a seus planos de instalar o polêmico escudo antimísseis na Europa próximo às fronteiras russas.

Medvedev elogiou a intenção de Obama de "reiniciar" as relações bilaterais e expressou seu desejo de superar as "dificuldades da etapa anterior" e "melhorar substancialmente os laços entre ambos os Estados".

Ele acrescentou que "nos últimos tempos, se acumularam muitos temas que devemos abordar, além da agenda tradicional, e por isso precisamos trocar opiniões sobre os assuntos mais complicados", segundo a agência "Interfax".

"É algo que me agrada comunicá-lo que nossas diferenças não são insuperáveis e que os pontos em que estamos de acordo são bastante consideráveis", respondeu Kissinger, político que durante a Guerra Fria desenhou a estratégia dos EUA para a então União Soviética.

Kissinger e o ex-primeiro-ministro russo Yevgueni Primakov são co-presidentes do chamado "grupo de sábios", formado por conhecidos políticos aposentados de ambos os países e encarregado da sua nova aproximação.

Pelo lado americano, também o integram os ex-secretários de Estado James Baker e George Shultz, de Defesa, William Perry, e do Tesouro, Robert Rubin, assim como o veterano ex-senador Sam Nunn.

O lado russo, além de Primakov, é formado pelo ex-ministro de Relações Exteriores Igor Ivanov e os ex-chefes do Estado-Maior do Exército Yuri Baluyevsky e Mikhail Moiseyev.

Kissinger afirmou que os integrantes norte-americanos desse grupo "sempre foram partidários de melhorar as relações entre EUA e Rússia, o que corresponde com os interesses de ambos os povos e do mundo inteiro".

"Tratamos de assuntos estratégicos, em particular relativos a regiões onde há problemas, e sentimos otimismo. Todos esperamos que a reunião dos dois presidentes inicie uma nova etapa das relações e conduza a resultados concretos", enfatizou.

"Para nós, o objetivo destes encontros (este foi o terceiro) é entender melhor a postura da Rússia para desenvolver nossa cooperação", explicou Kissinger, que na véspera se reunira também com o ex-presidente e atual primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.

Embora o primeiro encontro pessoal dos dois líderes não deva ser longo e dele não se esperem grandes avanços, "ambas as partes aplicam o maior esforço para que os presidentes se entendam imediatamente ", declarou nesta semana um porta-voz do Kremlin.

James Baker assumiu a incumbência de preparar a visita de Obama à Rússia, que deverá acontecer em meados de maio ou, preferivelmente, no início de julho, justamente antes da cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) que será realizada de 8 a10 desse mês na ilha italiana da Sardenha.

Na semana passada, Medvedev já recebeu em Moscou um primeiro grupo de influentes políticos norte-americanos integrado pelos ex-senadores Chuck Hagel e Gary Hart, além de Brent Scowcroft, que foi assessor de Segurança Nacional na Administração de George Bush -o pai, que governou os Estados Unidos de 1989 a 1992.

Essa primeira missão apresentou a Medvedev o projeto de um relatório com recomendações para o futuro das relações entre Rússia e EUA, que foi preparado por encomenda de Obama e que "causou uma impressão muito positiva no Kremlin", segundo a imprensa local.

Os jornais russos destacaram que esse relatório define a Rússia como um país muito importante para a política externa e de segurança dos EUA, sobretudo em relação a Irã, Afeganistão e aos problemas de desarmamento e de não-proliferação de armas de destruição em massa.

Os autores recomendam a Obama revisar os planos sobre o escudo antimísseis, moderar as críticas ao Kremlin pela política interna e os direitos humanos e reconhecer que o espaço pós-soviético é uma zona de interesse legítimo da Rússia, onde Washington deve evitar a rivalidade com Moscou. EFE se/jp

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