Jornal afirma que presidente quer promover "desestalinização" da Rússia, no dia em que Câmara Baixa condena massacre de Katyn

O presidente russo, Dmitri Medvedev, lançará uma campanha de "desestalinização" da Rússia, lembrando a população dos crimes cometidos pelo ditador soviético Josef Stalin, informou nesta sexta-feira o jornal econômico "Vedomosti".

De acordo com a publicação, Medvedev debaterá o papel de Stalin na história russa em uma reunião marcada para janeiro com integrantes do Conselho de Direitos Humanos do Kremlin. O grupo elaborou um projeto de programa federal que tem como objetivo homenagear as vítimas da repressão stalinista.

O projeto inclui a abertura completa dos arquivos soviéticos, operações de buscas de pessoas mortas e a instalação de novos monumentos em homenagem às vítimas. Além disso, o Conselho pedirá que Medvedev faça uma "abordagem política e jurídica dos crimes".

Massacre de Katyn

Nesta sexta-feira, a Câmara Baixa do Parlamento russo (Duma) aprovou em primeiro turno uma declaração que reconhece como o massacre de milhares de poloneses em Katyn, em 1940, como "uma tragédia" ordenada por Stalin. "Os documentos publicados, que permaneceram por muitos anos nos arquivos secretos, não apenas revelam a amplitude desta terrível tragédia, como são uma prova de que o crime de Katyn foi cometido por ordem pessoal de Stalin e de outros dirigentes soviéticos", afirma a declaração adotada.

"A responsabilidade desta matança foi atribuída na propaganda soviética aos criminosos nazistas, o que alimentou a revolta, a amargura e a desconfiança do povo polonês", completa o texto. O Parlamento russo manifesta sua "profunda compaixão com todas as vítimas desta repressão injustificável, com suas famílias e amigos".

Em 1940, após a invasão pela URSS de regiões do leste da Polônia, 22 mil oficiais poloneses prisioneiros do Exército Vermelho foram mortos nos bosques de Katyn e em Mednoia, na Rússia, assim como em Jarkiv, na Ucrânia. Durante décadas, a União Soviética acusou a Alemanha nazista de ter cometido os assassinatos. Apenas em abril de 1990 o líder soviético Mikhail Gorbachov reconheceu a responsabilidade do país no massacre.

Com AFP

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