Medvedev descarta luta pela presidência com Putin na Rússia

Segundo presidente russo, disputa em 2012 com o atual premiê seria 'prejudicial' para objetivos que eles têm pela frente

EFE |

AP
Medvedev (E) e Putin durante visita a uma estação de esqui em Krasnaya Polyana, próximo ao resort de Sochi no Mar Negro (18/2/2011)
O presidente russo, Dmitri Medvedev, não nega que gostaria de ter um segundo mandato à frente do país, mas descarta uma luta por esse posto com seu antecessor e hoje primeiro-ministro, Vladimir Putin.

Em uma entrevista ao "Financial Times", Medvedev afirma que, se cumprisse seu desejo, introduziria um sistema político mais competitivo, algo essencial, segundo ele, para realizar a modernização econômica que deseja para o país.

"A concorrência política é necessária para o desenvolvimento econômico", afirma o presidente russo, segundo o qual seria preciso eliminar certos elementos da democracia "dirigida" e de um sistema econômico dominado pelo Estado.

Medvedev diz que, apesar de certos sinais de desacordo entre ele e Putin, "seria totalmente inadequado afirmar que há um distanciamento crescente" entre ambos políticos.

Segundo Medvedev, seria "difícil imaginar" que ele e Putin competissem no próximo ano pela presidência do país. "Vladimir Putin e eu - e ele é meu colega e um velho amigo - representamos em boa medida a mesma força política. E, portanto, se nos confrontarmos seria prejudicial para as tarefas e para os objetivos que temos pela frente", explica.

Medvedev se mostra contrário a um sistema de "capitalismo autoritário" ao assinalar que "em alguns países se dá uma coexistência bastante bem-sucedida entre economia de mercado e limitada competição política. Mas isso não é para nós".

Segundo o "Financial Times", em sua entrevista, apesar de negar diferenças com Putin, Medvedev se posiciona como um enérgico crítico do capitalismo de Estado que marcou a presidência de seu antecessor.

Ao mesmo tempo, se pronuncia pelas autorregulações da economia, embora reconheça que os maiores obstáculos para a aplicação de sua política estão na mentalidade dos burocratas. "Nosso principal inimigo está em nós mesmos. Por diversas razões, o povo desse país depositou sempre suas esperanças em um czar favorável, no Estado, em Stalin, em seus dirigentes, mas não neles próprios", diz Medvedev, segundo o qual não se mudará essa mentalidade só assinando decretos.

Outra diferença com Putin é a política, escreve o jornal, pois enquanto a Rússia desenvolveu um sistema de "democracia dirigida", Medvedev defende uma forma de fazer política mais competitiva e descentralizada.

A terceira diferença entre ambos parece ser ideológica, comenta o jornal: Putin é um produto do sistema soviético quanto a mentalidade e reflexos políticos, mas Medvedev tinha 26 anos quando a União Soviética se afundou e passou a maior parte de sua vida no mundo pós-soviético.

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