Medvedev defenderá com dureza postura de seu país perante os líderes da UE

Moscou, 7 set (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, defenderá com dureza a atuação da Rússia no Cáucaso perante os dirigentes máximos da União Européia (UE), que tentarão na próxima segunda-feira em Moscou conseguir que o Kremlin retire suas tropas para as posições que tinha antes da explosão do conflito na Ossétia do Sul.

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Além disso, o presidente da França e de turno da UE, Nicolas Sarkozy, o alto representante de Política Externa e de Segurança Comum do bloco, Javier Solana, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, tentarão obter o consentimento para o desdobramento de uma missão de observação na região do conflito.

Mas tudo indica que as conversas de amanhã em Moscou não serão nada fáceis: na véspera, o chefe do Kremlin declarou que há quem tenta submeter a Rússia a "pressões políticas", mas recalcou que essas pretensões serão infrutíferas.

"Isto não é nenhuma novidade para nós. Mas não poderão fazer nada", enfatizou Medvedev em reunião do Conselho de Estado, órgão consultivo integrado pelos dirigentes regionais e outras altas autoridades civis e militares.

O presidente russo fez esta declaração no dia seguinte que a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, expressou em Lisboa seu convencimento de que "os russos vão mudar de atitude", pois entenderão que, caso contrário, "seu profundo isolamento não terá solução".

Perante os membros do Conselho de Estado, Medvedev disse que após a crise na Ossétia do Sul é necessário extrair conclusões sobre "a estratégia de política externa e o trabalho conjunto para o fortalecimento da segurança nacional".

"O confronto não é nossa opção", enfatizou o chefe do Kremlin, confirmando a disposição de Moscou de chegar a acordos de pé de igualdade e benefício mútuo, e a desenvolver "relações de boa vizinhança baseadas nos princípios reais do direito internacional".

Acrescentou que a Rússia não pôde nem quis atuar de outra forma porque a agressão da Geórgia à Ossétia do Sul era uma "grave ameaça para o direito internacional e para a estabilidade".

Medvedev reiterou sua reivindicação de que a UE não considerou necessário condenar a agressão georgiana à Ossétia do Sul e denunciou que países ocidentais continuam fornecendo armamento à Geórgia, agora sob a bandeira de ajuda humanitária.

"Como se sentiriam eles (os que prestam socorro à Geórgia) se enviássemos ajuda humanitária com nossa frota aos países da Bacia do Caribe que recentemente sofreram as conseqüências de um devastador furacão?", perguntou.

A Rússia insiste em que cumpre estritamente o plano de regra de seis pontos acertado entre Medvedev e Sarkozy para pôr fim ao conflito, e que segundo as autoridades russas não contém um compromisso explícito de respeito da integridade territorial da Geórgia.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Rússia justificou o reconhecimento das independências da Ossétia do Sul e da Abkházia com o argumento que essa decisão era o desenvolvimento lógico do sexto ponto do Plano Medvedev-Sarkozy, que se refere ao status dessas duas regiões georgianas.

Na capital russa sustentam que se o texto do documento assinado pelo presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, difere do que foi acertado em Moscou, então já não é o Plano Medvedev-Sarkozy.

Em sua cúpula extraordinária realizada no último dia 1, a UE, que condenou a "reação desproporcional" russa no conflito pela Ossétia do Sul, exigiu da Rússia que retire suas tropas da Geórgia e respeite a integridade territorial desse país.

Além disso, a União Européia decidiu adiar as reuniões programadas com a Rússia para negociar um amplo acordo de cooperação até que esse país retire suas tropas a suas posições do 7 de agosto, quando se iniciou a crise da Geórgia.

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