Medvedev defende perante Sarkozy independência das regiões georgianas

Moscou, 8 ago (EFE).- O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, defendeu hoje em mensagem a seu colega francês, Nicolas Sarkozy, a independência das regiões separatistas georgianas, Ossétia do Sul e Abkházia, e o desdobramento de tropas russas em seus territórios.

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No primeiro aniversário da guerra russo-georgiana pelo controle da Ossétia do Sul, em cujo acerto a França intermediou em nome da União Europeia (UE), Medvedev acusou a Geórgia de abrigar planos revanchistas para reconquistar os territórios perdidos.

"Levanta uma grave preocupação a atitude da Geórgia, desde as incessantes ameaças de restabelecer pela força sua 'integridade territorial' e a diária retórica belicista, até a concentração de tropas nas fronteiras com a Ossétia do Sul e a Abkházia, além das sérias provocações nas regiões limítrofes", afirmou o chefe do Kremlin.

Medvedev responsabilizou o líder georgiano, Mikhail Saakashvili, pela "agressão" de há um ano contra a Ossétia do Sul, que levou à Rússia a invadir a Geórgia e reconhecer unilateralmente a independência autoproclamada dos separatistas, a cujos habitantes Moscou tinha concedido previamente sua carta de nacionalidade.

Acrescentou que a principal tarefa agora é "garantir a paz e a segurança no Transcáucaso em interesse de todos os povos", e que é para isso que a Rússia desdobrou suas tropas em ambas as regiões e assinou com elas acordos de assistência em caso de agressão.

O presidente russo defendeu a assinatura de acordos vinculativos de não agressão entre Geórgia e Ossétia do Sul e a Abkházia, para evitar a repetição da guerra, e pediu ao Ocidente para se abster de fornecer armas ao regime de Saakashvili.

"Consideramos que a comunidade mundial deve mostrar uma responsabilidade solidária, para que os dirigentes georgianos não tenham ilusões a respeito da possibilidade de resolver impunemente seus problemas por via militar", disse, segundo a agência "Interfax".

Por outra parte, Medvedev louvou o trabalho dos observadores da UE na Geórgia e lamentou a saída das missões da Osce e da ONU da Ossétia do Sul e da Abkházia, que foi forçada por Moscou por não reconhecer a independência de ambos os entes separatistas.

Por último, louvou a mediação de Sarkozy para deter aquela "guerra de cinco dias" (8-12 de agosto) e assinalou que o plano de regra estipulado então com Paris continua sendo até hoje o "único código de conduta" nessa região do Cáucaso.

Medvedev assegurou que Moscou "cumpriu plenamente" seus compromissos dentro daquele plano de acerto, apesar de que as tropas russas e separatistas continuem ocupando as localidades georgianas da Ossétia, 20% de seu território, que deviam devolver a seus habitantes. EFE se/ma

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