catástrofe humanitária na Ossétia do Sul - Mundo - iG" /

Medvedev declara luto por catástrofe humanitária na Ossétia do Sul

Moscou, 12 ago (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou a quarta-feira (amanhã) um dia de luto na Rússia pela catástrofe humanitária na separatista região georgiana da Ossétia do Sul, de onde o Exército russo expulsou as tropas da Geórgia.

EFE |

No comunicado divulgado pelo Kremlin, Medvedev expressa os pêsames aos familiares das vítimas, aos cerca de 1.600 habitantes da Ossétia do Sul e a 18 soldados das forças russas de paz, mortos em cinco dias de combates com as tropas georgianas.

A nota acusa a Geórgia de atacar ilegalmente a Ossétia do Sul no último dia 8, violando os acordos existentes e a Carta da ONU, ao ocupar essa região e provocar o "extermínio da população civil".

"Desta forma, foi cometido um genocídio do povo da Ossétia do Sul e a cidade de Tskhinvali (a capital separatista) e outras localidades foram praticamente destruídas, o que causou uma catástrofe humanitária na Ossétia do Sul", indica o comunicado.

O documento acrescenta que as tropas georgianas atacaram as forças russas de paz, enviadas à região de acordo com as normas internacionais, o que, segundo a resolução da Assembléia Geral da ONU de 14 de dezembro de 1974, supõe um "ato de agressão".

Medvedev também anunciou hoje o fim das operações militares russas na Geórgia e acordou com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, um plano de solução que prevê o retorno das tropas russas e georgianas a suas posições anteriores ao conflito.

"O objetivo da operação para impor a paz se cumpriu. A segurança das tropas de paz e dos cidadãos russos está garantida", disse Medvedev.

O chefe de Estado russo tinha ordenado ao Ministério da Defesa "esmagar, caso surgisse, qualquer foco de resistência ou de agressão" na zona de conflito.

"O agressor foi castigado e sofreu baixas significativas. Suas Forças Armadas ficaram dispersas", disse.

Sarkozy, mediador no conflito bélico na qualidade de presidente de turno da União Européia (UE), disse à imprensa que "a declaração do fim das hostilidades por parte da Rússia é uma boa notícia".

O acordo, anunciado em entrevista coletiva conjunta pelos dois dirigentes, estipula a renúncia ao uso da força, o fim de todas as ações militares, o livre acesso à ajuda humanitária e o retorno das Forças Armadas da Geórgia a seu lugar habitual.

Além disso, as tropas russas serão retiradas à linha que existia antes do início do conflito, e será iniciado um debate internacional para decidir o futuro status das separatistas Abkházia e Ossétia do Sul.

Durante a entrevista coletiva, Sarkozy disse que o presidente russo tinha garantido que a Rússia "não tem o propósito" de permanecer em território georgiano.

"Concordamos em respeitar a soberania da Geórgia. É um país independente", declarou o chefe de Estado francês, que esta noite apresentará o plano de solução da União Européia (UE), em Tbilisi, ao presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.

O chefe do Kremlin afirmou que a "Rússia reconhece a soberania da Geórgia, mas isto não significa que um Estado soberano possa fazer o que quer".

Medvedev disse que a operação militar do Exército russo na Geórgia foi necessária para proteger os habitantes das separatistas Ossétia do Sul e Abkházia, aos quais Moscou, apesar dos protestos de Tbilisi, tinha concedido a nacionalidade russa.

"Quando matam milhares de civis, um Estado deve atuar adequadamente. Não podíamos agir de outra forma, e estes cinco dias demonstraram que nossa resposta foi a mais eficaz e conseqüente", disse.

Além disso, lembrou a secessão unilateral do Kosovo, reconhecida por parte do Ocidente, apesar dos protestos da Sérvia e da Rússia, para defender o direito das regiões georgianas pró-russas de reivindicar sua independência.

"À pergunta de se a Ossétia do Sul e a Abkházia querem continuar vivendo na Geórgia, elas mesmas devem responder, e sua resposta será contundente", ressaltou.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, foi além e afirmou que Medvedev e Sarkozy "entendem que é impossível manter o status quo" atual da Abkházia e Ossétia do Sul, que hoje mesmo pediram seu reconhecimento.

Por sua vez, Sarkozy, que viajará hoje a Tbilisi para apresentar o acordo ao presidente georgiano, expressou que "se a Geórgia aceitar assinar a retirada de suas tropas e cumprir os seis princípios, a via de normalização ficará aberta", embora haja muito trabalho pela frente.

No entanto, Medvedev afirmou que os pacificadores russos "continuarão cumprindo suas funções no Cáucaso", pois, segundo ele, "são um fator-chave da segurança" na região.

Sarkozy confirmou que a UE está pronta para participar de missões de paz na área, mas enfatizou que isso tem que ser acordado entre todas as partes envolvidas, incluindo russos e habitantes da Ossétia do Sul, que rejeitam uma presença internacional.

O presidente russo voltou a acusar o Exército georgiano de "limpeza étnica" e "genocídio", e Sarkozy admitiu o direito da Rússia de colocar este assunto perante os tribunais internacionais.

Medvedev insistiu também na idéia de levar o presidente georgiano aos tribunais. EFE si/sc/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG