Moscou, 6 mai (EFE).- Dmitri Medvédev, o presidente eleito que assumirá amanhã no Kremlin a chefia do Estado da Rússia, encarna tanto as esperanças de mudança como as de que tudo continuará da mesma forma que na época de seu antecessor Vladimir Putin.

Mais que herdeiro de czares e secretários-gerais, parece um eficaz executivo, assim como quando Putin o escolheu como sucessor ao não poder disputar a Presidência pela terceira vez consecutiva.

Desde então, o ex-professor de direito de 42 anos defendeu a construção de casas e a ampliação da internet por todo o país, assim como a erradicação da corrupção e imposição do império da lei, e muitas outras coisas inquestionáveis.

Às vezes, a TV também mostrou como Medvédev censurava algum alto funcionário ou instituição. E o zelo com o qual imita a dureza de Putin não desagrada a maior parte dos russos.

Medvédev ocupa a Presidência em momentos nos quais a grandeza da Rússia aflora sob a chuva de petrodólares e em meio a tempestades financeiras que castigam muitos países do mundo.

Com um crescimento econômico de 8% no último ano e com os investimentos estrangeiros em torrente, a Rússia se cobre de enormes shoppings, as lojas de automóveis batem todos os recordes e o desejo geral parece ser o de que tudo continue da mesma forma.

Quase 80% dos entrevistados em uma pesquisa pública expressaram a esperança de que Medvédev "mantenha o mesmo rumo de Putin".

"O que as pessoas mais desejam é continuidade. Nem sequer se trata de esperanças de melhora, a esperança é que a situação não piore", declarou Denís Vólkov, especialista do Levada Center, que realizou a pesquisa.

Os últimos dias do mandato de Putin parecem confirmar estas previsões.

Durante o principal acontecimento destes dias, o congresso do partido governista Rússia Unida, o protagonismo de Putin, que agora liderou o partido sem sequer ser militante, foi indubitável.

O próprio Medvédev destacou isto ao afirmar que "sob a direção de Putin, o Rússia Unida contribuirá para o desenvolvimento das instituições democráticas".

Os mais pessimistas vêem em Medvédev um jovem ambicioso, mas incapaz de mudar algo para melhor.

Afirmam que sob a Presidência de Medvédev o gigante do gás Gazprom não se tornou mais transparente ou eficaz. Além disso, citam o pouco progresso dos programas nacionais que ele liderou, como o de saúde, ensino, moradia e agricultura.

No entanto, seria pouco honesto responsabilizar Medvédev, que durante estes oito anos não foi mais que um executor das decisões de Putin, encerram seus simpatizantes. EFE mb/fal

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