Medvedev assegura que apoiará possíveis novas sanções contra o Irã

Macarena Vidal. Nações Unidas, 23 set (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, expressou nesta quarta-feira sua disposição de apoiar novas sanções contra o Irã caso o país mantenha seu programa nuclear, o que representa um triunfo político para o líder dos Estados Unidos, Barack Obama.

EFE |

"As sanções raramente têm resultados positivos, mas, em alguns casos, são inevitáveis", declarou Medvedev, em um comparecimento conjunto após uma reunião com Obama, em paralelo à Assembleia Geral da ONU.

As declarações de Medvedev, de que seu país deve "ajudar o Irã a tomar a decisão correta", representam uma reviravolta na política russa.

Até agora, Moscou tinha mostrado ceticismo diante da possibilidade de aumentar as sanções contra a República Islâmica, caso o país mantivesse suas atividades de enriquecimento de urânio e rejeitasse a oferta de diálogo das potências internacionais.

Obama, que já tinha advertido anteriormente o Irã sobre as "consequências sérias" de continuar com seu programa nuclear, disse que se Teerã não responder ao diálogo, a imposição de "sanções adicionais graves continua como uma possibilidade".

No entanto, disse estar "comprometido com a negociação com o Irã de modo sério para resolver este assunto".

Uma reunião de representantes iranianos com o grupo formado por EUA, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha, para discutir o assunto deve acontecer no dia 1º de outubro, em Genebra.

Na noite desta quarta-feira, os ministros de Exteriores do grupo também devem ser reunir, em paralelo à Assembleia Geral da ONU, para preparar o encontro na Suíça.

Obama pediu ao regime do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que aproveite "a oportunidade" da reunião em Genebra, na qual, segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, o Irã "terá que decidir que caminho quer tomar".

Segundo Michael McFaul, conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca para a Rússia, o programa nuclear iraniano dominou a maior parte da reunião de aproximadamente uma hora entre Medvedev e Obama, a terceira bilateral deste ano.

Sobre a Rússia, McFaul disse que houve "uma mudança enorme em sua posição. Há pouco tempo tínhamos definições muito divergentes sobre a ameaça e nossos objetivos estratégicos, com relação ao Irã".

O encontro de hoje aconteceu depois que, na semana passada, Obama anunciou sua decisão de cancelar a construção do escudo antimísseis que a Administração de seu antecessor George W. Bush tinha previsto na Europa do Leste.

Na reunião desta quarta-feira, Medvedev parabenizou Obama por ter tomado a decisão, que qualificou de "razoável", e expressou sua disposição a colaborar com os EUA e com a Europa em "uma defesa antimísseis necessária" para o continente e para o mundo.

A Rússia considerava o cancelamento da construção do escudo uma ameaça a seu território, algo que os EUA sempre negaram.

O projeto tinha se transformado, além disso, no principal empecilho para as relações entre os dois países.

Em declarações à imprensa que acompanha a Obama em sua visita à ONU, McFaul negou que a decisão de cancelar o sistema antimísseis tivesse o objetivo de agradar a Rússia, mas admitiu um "mudança" no clima da relação.

Além disso, Medvedev afirmou que, "recentemente, vimos mudanças muito positivas em nossa relação, já que agora estão estabelecidas, são construtivas e amistosas, e nos permitem abordar assuntos difíceis enfrentados não só por nossos países, mas são relativos ao mundo inteiro".

Em seu encontro, os dois líderes repassaram também os progressos nas negociações para aprovar um acordo de redução de ogivas nucleares que substitua o atual Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), cuja vigência expira no fim deste ano.

Tanto Obama quanto Medvedev se declararam "confiantes" de que o fechamento deste tratado será alcançado em dezembro, prazo que os dois líderes tinham anunciado em abril.

"Como duas principais potências nucleares adotamos o compromisso de que reduziremos nossos arsenais nucleares", afirmou Obama. EFE mv/pd

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