Medvedev apresenta diretrizes de política externa a corpo diplomático russo

Moscou, 15 jul (EFE).- O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, expôs hoje ao corpo diplomático do país as linhas mestras de sua política externa, similares às de seu antecessor, Vladimir Putin.

EFE |

"A estabilidade estratégica não pode continuar sendo responsabilidade da Rússia e dos Estados Unidos", destacou Medvedev durante seu discurso no Kremlin aos embaixadores, segundo as agências russas.

Na opinião de Medvedev, esta responsabilidade deve ser assumida por "todas as potências nucleares".

"A experiência dos últimos anos, particularmente no Iraque e no Oriente Médio, demonstra que os atuais problemas mundiais não podem ser resolvidos através da força", declarou.

Medvedev frisou que a postura do Kremlin de "reformar" as organizações internacionais para "reforçar" o papel central da ONU permanece "invariável".

"Realmente, ficamos preocupados com o fato de ainda não ter sido criado um moderno sistema coletivo de segurança aberto a todos", afirmou.

Por outro lado, Medvedev não economizou críticas aos planos dos EUA de posicionarem elementos de seu escudo antimísseis na República Tcheca e na Polônia, o que a Rússia considera uma ameaça direta para sua segurança.

"O lugar de elementos do escudo americano no Leste Europeu somente agravará a situação e nós teremos que reagir em conseqüência", disse Medvedev.

Ele também criticou o tratado de Forças Armadas Convencionais na Europa (Face), considerado a pedra fundamental da segurança no continente e abandonado pela Rússia em dezembro.

"Não pensam que apenas sua plena e definitiva decomposição convencerá a todos de seu anacronismo e da necessidade de um regime justo de controle de armamento", destacou.

Medvedev também partiu contra a proclamação unilateral da independência do Kosovo, por considerá-la "uma violação das normas do direito internacional".

"Para a União Européia (UE), o Kosovo é quase como o Iraque para os Estados Unidos", comentou.

Além disto, o presidente russo reiterou que uma das prioridades da diplomacia russa é construir uma associação estratégica com a UE, baseada em regras de jogo pactuadas, que permita o advento de uma grande Europa "sem linhas divisórias".

O chefe do Kremlin citou os erros neste âmbito cometidos pela antiga União Soviética ao respaldar financeira e diplomaticamente regimes corruptos exclusivamente por motivos ideológicos.

Entre os sucessos da diplomacia russa ele destacou o fortalecimento das relações bilaterais com países como Brasil, China, Índia, México, Egito, Japão e outras nações do Oriente Médio, do Extremo Oriente e da América Latina. EFE io/wr/fal

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