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Medvedev anuncia instalação de foguetes em resposta a escudo antimísseis

Moscou, 5 nov (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou hoje que a Rússia posicionará foguetes táticos Iskander em Kaliningrado, enclave russo no Mar Báltico, além de adotar outras medidas em resposta ao escudo antimísseis que os Estados Unidos planejam instalar no Leste Europeu.

EFE |

"Para poder neutralizar, em caso de necessidade, o sistema de defesa contra mísseis, o sistema de foguetes Iskander será posicionado na região de Kaliningrado", declarou Medvedev em sua primeira mensagem anual sobre a situação da Rússia.

Os Iskander (SS-26 Stone, segundo a classificação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan) têm alcance de 50 a 300 quilômetros e podem levar cargas de até 480 quilos.

"São medidas forçadas. Declaramos mais de uma vez a todos os nossos parceiros que desejamos manter uma cooperação positiva e atuar juntos contras as ameaças comuns, mas infelizmente não querem nos escutar", declarou Medvedev.

Em resposta, o Governo da Alemanha classificou de "decisão equivocada" o anúncio do posicionamento de foguetes em Kaliningrado.

"Trata-se de uma decisão equivocada em um momento inoportuno", afirmou hoje em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores alemão, Jens Plötner.

O líder do Kremlin defendeu as ações militares do Exército russo na região separatista georgiana da Ossétia do Sul em agosto e declarou que a "Rússia não retrocederá no Cáucaso".

"A decisão de impor a paz ao agressor e a operação lançada por nossos militares não foram contra a Geórgia nem seu povo, mas para salvar os habitantes da república e os soldados de paz russos", disse.

O presidente russo ressaltou que o ataque georgiano à Ossétia do Sul foi "conseqüência da política gananciosa da Administração americana" no Cáucaso, que "pôs em interdição a eficácia das instituições internacionais de segurança".

Medvedev afirmou que os EUA e a Otan aproveitaram o conflito do Cáucaso para enviar seus navios de guerra ao Mar Negro e acelerar os planos de instalar o escudo antimísseis americano no Leste Europeu, próximo às fronteiras russas.

O chefe do Kremlin, que não fez menção direta à vitória do candidato democrata, Barack Obama, nas eleições presidenciais dos EUA, expressou sua esperança de que o futuro Governo americano reforce as relações com a Rússia.

"Esperamos que nossos parceiros - a nova Administração dos EUA - optem por manter relações plenas com a Rússia", declarou o chefe de Estado russo, que reconheceu que as relações entre Moscou e Washington não passam por seu melhor momento.

Medvedev dedicou parte de seu discurso de 1h25min à crise financeira global e afirmou que a Rússia, apesar de estar sendo afetada, "sairá fortalecida" das turbulências internacionais.

O presidente russo acusou os EUA de serem responsáveis pela crise e advertiu que a "Rússia não permitirá o predomínio de nenhum país em qualquer esfera".

Segundo Medvedev, a crise financeira começou com "uma emergência no mercado nacional dos EUA, que arrastou consigo os outros mercados financeiros do planeta" e foi provocada por "graves erros no âmbito econômico" cometidos pelas autoridades americanas.

Medvedev defendeu a imposição, o mais rápido possível, do rublo como unidade de pagamento no comércio internacional e a criação, na Rússia, de um dos centros financeiros mais influentes do mundo.

"É preciso dar passos práticos para consolidar o papel do rublo como uma das divisas nas operações internacionais e iniciar a passagem dos pagamentos em rublo, começando pelo petróleo e pelo gás" que a Rússia exporta, declarou o presidente russo.

Na política interna, Medvedev antecipou uma série de propostas para modernizar o sistema político russo, inclusive emendas à Constituição, que seriam as primeiras da Lei Fundamental pós-soviética desde sua aprovação em plebiscito, em 1993.

Medvedev surpreendeu com a proposta de ampliar de quatro para seis anos o mandato presidencial, e de quatro para cinco a legislatura da Duma (câmara baixa russa).

"Não se trata de uma reforma da Constituição, mas de uma correção da Constituição, de emendas importantes, que acertam, mas não afetam a essência jurídica nem política das instituições existentes", explicou.

Medvedev propôs aumentar as prerrogativas do Parlamento, principalmente submeter a gestão do Gabinete - liderado atualmente pelo primeiro-ministro russo, Vladimir Putin - ao controle do Legislativo.

Durante seu mandato como presidente da Rússia, Putin se negou determinantemente a introduzir modificações na Constituição, inclusive quando lhe sugeriram que anulasse a norma que impede o exercício de três mandatos presidenciais consecutivos.

"Não sabíamos nada disto. Quando o presidente fez o anúncio, a sala ficou em silêncio. Foi uma surpresa", admitiu o deputado e secretário da Presidência do partido governista Rússia Unida, Vyacheslav Volodin, ao comentar as propostas de Medvedev.

Em sua intervenção, Medvedev defendeu o fortalecimento das instituições democráticas, para o qual adiantou um plano que inclui uma série de reformas à lei eleitoral e dos partidos políticos.

Em particular, Medvedev destacou a necessidade de os partidos políticos menores terem acesso ao Legislativo e propôs que as legendas que tiverem entre 5% e 7% de votos "recebam uma ou duas cadeiras" na Duma. EFE bsi/wr/fal

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