Londres, 3 jul (EFE).- O reconhecimento pelo Ocidente da declaração unilateral de independência do Kosovo é um perigoso e desgraçado precedente, que custará caro à Europa durante décadas, afirma o presidente russo, Dmitri Medvedev.

Em uma entrevista ao jornal britânico "The Guardian", Medvedev afirma que "é evidente que toda uma série de regimes separatistas exploraram (esse fato) para justificar seus próprios desejos de status legal" de independência.

Medvedev critica também o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por ter se declarado publicamente a favor da decisão da União Européia de substituir a administração das Nações Unidas na antiga província sérvia por uma representação da própria UE.

Sobre o Irã, Medvedev critica também a UE por reforçar as sanções contra esse país e congelar os ativos de seu banco principal justo quando progrediam as negociações.

"Se estamos em conversas com eles, deveríamos evitar as ações capazes de irritar a liderança iraniana e que possam levar a novas sanções. Não entendo por que a UE empreendeu sua última ação (contra o Irã)", diz o chefe de Estado russo.

Medvedev também falou sobre o sistema financeiro mundial, um dos assuntos que dominarão a próxima reunião do G8. Para Medvedev, "antes de tudo deve ser mais justo e levar em conta os riscos que hoje têm relevância", como "a experiência negativa" da crise das hipotecas que não afetou apenas os Estados Unidos.

"Temos que formular propostas e começar negociações para discutir a forma como deve aceitar este sistema. (...) Nós preparamos também nossas próprias propostas, mas isso não significa que seja necessário destruir o que foi criado durante várias décadas", explica o presidente russo.

Medvedev se queixa que há uma dependência excessiva do dólar e afirma que o rublo deveria ser uma moeda de reserva agora que é conversível.

"O sistema não pode estar orientado em direção a um só país e uma só moeda. No futuro deve basear-se no equilíbrio entre as principais economias e no princípio de várias moedas de reserva", propõe o presidente russo. EFE jr/rr

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