Medvedev adota tom brando, mas reitera interesses russos em reunião com UE

Miguel Bas Khanty-Mansiysk (Rússia), 27 jul (EFE).- Tons mais suaves e cordiais, que reiteraram que os interesses da Rússia continuam os mesmos, marcaram hoje a primeira reunião de Dmitri Medvedev, novo chefe de Estado russo, com a União Européia (UE), que pretende abrir uma nova etapa na cooperação estratégica entre ambas as partes.

EFE |

Na entrevista coletiva final, Medvedev; o presidente rotativo da UE, o esloveno Janez Jansa; o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e o alto representante da União Européia para política externa e segurança, Javier Solana, anunciaram oficialmente o começo da negociação de um novo acordo Rússia-UE.

Todos concordaram em classificar o anúncio como "o principal resultado desta reunião".

De acordo com Janza, se trata de um "novo começo" no qual a UE deposita muitas "expectativas". Para Solana, foi "virada uma nova página", marcada pelo sucessor de Vladimir Putin.

Por sua parte, Barroso garantiu que a Comissão fará "tudo o que for possível" para acelerar a aprovação do acordo.

Medvedev destacou que o futuro documento deverá ser um "instrumento de aproximação", baseado no "pragmatismo" e no "enfoque comum da segurança européia", que, segundo declarou Medvedev na entrevista coletiva final, "deverá estabelecer novas bases de colaboração estratégica".

As conversas, que começarão em 4 de julho, em Bruxelas, incluirão aspectos como cooperação política, integração econômica, relações energéticas, liberdade, segurança, justiça e imigração.

É especialmente importante o destaque que é concedido às relações energéticas, já que a UE recebe da Rússia 16% do petróleo e 20% do gás que consome. Por sua parte, a Rússia destina à Europa 53% de suas exportações de petróleo e 62% das de gás.

Medvedev disse que a Rússia "sempre teve, e continuará a ter, uma relação construtiva e bem-sucedida com a UE", confirmando mais uma vez sua fidelidade a Vladimir Putin, que lhe promoveu como sucessor.

Medvedev confirmou assim a opinião do chefe da diplomacia européia, Javier Solana, que havia expressado suas dúvidas antes da Cúpula quanto a possíveis "mudanças fundamentais em um grande país como a Rússia, com seus interesses nacionais".

Mesmo "conflitos congelados", como os existentes entre Kosovo e a Sérvia, e a Abkházia e a Geórgia, que até agora constituíam assuntos menos importantes, foram desta vez objetos de "total coincidência de enfoques", em pontos como a não utilização da força e a busca por soluções "exclusivamente políticas".

Sempre sorridente, Medvedev também conseguiu evitar nuances agressivas ao reiterar o desacordo quanto ao desdobramento do escudo antimísseis dos Estados Unidos na Europa e ao predomínio dos norte-americanos na segurança européia em geral.

Ele afirmou que a Europa é a "casa comum" de todos os membros da reunião. Por isso, disse ser necessário zelar por ela sem se render aos inquilinos mais ricos nem acreditar nos vizinhos.

Medvedev voltou a insistir na idéia da necessidade de um novo pacto e de estruturas de segurança européia.

Após constatar que nem a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (Osce), surgida após a Guerra Fria, nem a Otan, podem garanti-la, destacou que a segurança européia "é indivisível" e "não pode ser repartida entre blocos nem grupos".

"Cabe a todo o continente, e é assunto de todos, e por isso deve se basear em princípios comuns", disse, incentivando a realização de um fórum entre os países da Europa, os Estados Unidos e o Canadá.

"Se chegarmos ao acordo (sobre o evento), poderá nascer desta cúpula o futuro acordo pan-europeu", assinalou. EFE mb/fh/gs

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