Medo de tremores secundários provoca pânico na China

Alertas de novos tremores secundários provocaram uma onda de pânico nesta terça-feira na China, onde milhares de pessoas correram paras as ruas para escapar de uma eventual nova catástrofe, o que também derrubou as bolsas da região.

AFP |

Mais de uma semana depois do terremoto de 12 de maio que devastou o sudoeste do país, o Centro Nacional de Controle e Prevenção de Desastres anunciou que a tragédia deixou 40.075 mortos em todas as regiões afetadas.

A catástrofe também deixou 247.645 feridos, segundo o site do organismo.

O governo da província de Sichuan, a mais afetada, anunciou que o terremoto deixou 39.577 mortos apenas na província.

O dia também foi marcado por uma notícia que deu um pouco de esperanças aos chineses: o resgate com vida de Ma Yuanjiang, um executivo de 31 anos que permaneceu soterrado por oito dias nos escombros da central energética em que trabalhava.

Com as bandeiras a meio pau no segundo dia de luto nacional, uma advertência das autoridades da província de Sichuan sobre a possibilidade de fotes réplicas levou pânico à população na noite de segunda-feira.

Nas ruas de Chengdu, capital de Sichuan, milhares de pessoas aterrorizadas carregavam colchões, cadeiras, roupas e outros bens para longe dos edifícios.

A situação criou engarrafamentos gigantescos no trânsito, já que os motoristas tentavam abandonar a cidade ou chegar a espaços abertos, como parques e estádios.

"Qualquer um que afirme que não tem medo está mentindo", afirmou Zhu Yuejin, uma jovem de 23 anos que passou a noite no carro.

O site do governo de Sichuan advertiu, com base em alertas das autoridades sismológicas, para a iminência de uma réplica de 6 a 7 graus na mesma região que foi atingida na semana passada por um terremoto de 8 graus na escala Richter.

No entanto, Du Jianguo, analista do Instituto Chinês de Sismologia, afirmou que é impossível prever um tremor secundário com tanta exatidão.

"Não sei quem fez essa previsão, mas pessoalmente não acredito", declarou à AFP.

Desde o terremoto de 12 de maio, a China já foi sacudida por mais de 150 réplicas, superiores a 4 graus, incluindo uma de 5 graus na escala Richter que durante a noite abalou a região de Pingwu, que fica 125 km ao norte do primeiro epicentro.

A advertência de um tremor secundário iminente e de grande violência levou o nervosismo aos mercados de valores, contribuindo para as fortes quedas de 4,48% na Bolsa de Xangai e de 2,23% em Hong Kong.

Segundo o governo, o terremoto da semana passada custará quase 10 bilhões de dólares ao setor industrial de Sichuan e 0,2% do crescimento econômico chinês deste ano.

Alimentando os temores entre os supersticiosos, os moradores da cidade de Zunyi informaram uma migração em massa de rãs e sapos. Na semana passada, os animais lotaram as cidades de Sichuan dias antes do terremoto.

No campo humanitário, a Cruz Vermelha chinesa enviou nesta terça-feira a primeira equipe de psicólogos à zona do terremoto para assistir as vítimas traumatizadas.

Apesar de ser oficialmente um país ateu, parte da população chinesa recorreu à religião em busca de resposta a situações trágicas.

Cinco milhões de pessoas ficaram sem casa em conseqüência do terremoto.

"Aqui, provisoriamente temos tudo o que precisamos, à espera de poder reconstruir nossas casas que desabaram", afirma Li Jinsong, um minerador de 39 anos que divide uma barraca com a família e os vizinhos, ou seja, 15 pessoas, em um dos acampamentos que crescem nas áreas devastadas.

A China autorizou a entrada de voluntários estrangeiros, mas demorou três dias parar abrir suas fronteiras, uma decisão que gerou críticas internacionais.

Por fim, o ministro da Proteção ao Meio Ambiente, Zhou Shengxian, afirmou que 32 instalações nucleares sepultadas pelo terremoto estão em situação "segura e controlável" e que não foram detectados vazamentos de radioatividade.

bur-sct/fp

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