Medo de recessão derruba mercados globais

Depois de dois dias em que as bolsas de grande parte do planeta pareciam ter retomado a confiança em uma solução para a crise financeira, a quarta-feira foi de grande perdas estimuladas, principalmente, pelo temor de uma recessão global. Em Nova York, o índice Dow Jones, que já havia fechado em leve queda na terça-feira, caiu 7,87% e fechou com 8.577 pontos. O recuo fez com que parte dos ganhos da última segunda-feira fossem perdidos.

BBC Brasil |

Também nos Estados Unidos, a bolsa eletrônica Nasdaq teve uma queda ainda mais acentuada, fechando o pregão com um recuo de 8,47%.

No Brasil, após dois dias de otimismo, o índice Bovespa, da Bolsa da Valores de São Paulo, fechou com um forte recuo de 11,39%, com 36.833 pontos. O pregão chegou a ser interrompido por meia hora pelo circuit breaker (mecanismo que interrompe os negócios automaticamente quando a bolsa atinge 10% de perdas).

O pessimismo no mercado se deve ao medo de que o mundo esteja à beira, ou mesmo já esteja sofrendo, uma grande recessão.

Dois relatórios divulgados nesta quarta-feira aumentaram ainda mais os temores de uma recessão.

As vendas no varejo nos Estados Unidos caíram 1,2% em setembro em relação ao mês anterior, no maior queda mensal em mais de três anos. A queda foi acentuada pela diminuição de 3,8% nas vendas de automóveis.

Além disso, um relatório do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, apontou que a atividade econômica se enfraqueceu em diversas partes dos EUA.

"Ameaça significativa"

Em um discurso em Nova York, o presidente do Fed, Ben Bernanke, afirmou que o governo dos Estados Unidos evitou cometer os mesmos erros que mergulharam o país na Grande Depressão da década de 1930.

Ele ainda garantiu que o Fed continuará agindo de modo agressivo para combater a crise de crédito, mas alertou que ainda levará um tempo até que a economia volte a funcionar normalmente.

"A turbulência nos mercados financeiros e a pressão sobre as empresas financeiras representam ameaças significativas para o crescimento econômico", disse.

Bernanke ainda falou sobre os perigos de booms como o dos preços dos imóveis e sobre que medidas o governo pode tomar para evitá-los.

"A última década mostrou que os estouros de bolhas podem ser muito perigosos e de enormes custos para a economia americana. Nós estamos estudando muito este assunto para podermos decidir o que fazer a respeito".

Mercados europeus

O medo de uma recessão também contaminou os mercados europeus nesta quarta-feira.

Em Londres, o FTSE 100 caiu 7,16%, no mesmo dia em que foram divulgadas estatísticas de que o nível de desemprego na Grã-Bretanha é o maior em 17 anos.

Na Alemanha, o Dax registrou um recuo de 6,49% e em Paris o Cac 40 perdeu 6,82%.

Empréstimos

Apesar das más notícias, parece haver sinais de que os bancos começam a ficar mais dispostos a emprestar uns aos outros.

O custo dos empréstimos interbancários, medido pela London interbank offered rates (Libor), caiu levemente nesta quarta-feira.

Foi a segunda queda consecutiva da Libor para euros, dólares e libras esterlinas, e o custo caiu para a empréstimos de todo tipo de duração - de uma noite até um ano.

Mesmo assim, as quedas registradas nesta quarta-feira indicam que os investidores temem que as ações dos governos para fortalecer o sistema financeiro não sejam suficientes para evitar uma recessão a nível global.

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