(embargada até as 22h01 de Brasília) Londres, 30 nov (EFE) - Meditar pode ser tão ou até mais eficaz do que tomar remédios para combater a depressão, segundo um estudo realizado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido. O trabalho se baseou em técnicas de meditação budista e seu resultado é um tratamento batizado como terapia cognitiva baseada na plena consciência (MBCT, na sigla em inglês), que propõe uma alternativa natural aos antidepressivos químicos. A meditação propõe aos pacientes concentrar-se em sua existência presente, em vez de focarem no passado e no futuro, afirmou o professor Willem Kuyken, diretor do estudo, que será publicado nesta segunda-feira pela revista Journal of Consulting and Clinical Psychology. Kuyken, que trabalha no Centro de Transtornos de Comportamento da Universidade de Exeter, explicou que eles examinaram dois grupos de pessoas com um longo histórico depressivo, tratando um deles com os remédios freqüentes e realizando com o outro uma terapia através da meditação. Os dois tratamentos duraram oito semanas. Após esse tempo, os cientistas deixaram passar um período de 15 meses, ao término do qual se constatou que 60% dos que se trataram com antidepressivos tinham tido uma recaída, enquanto 47% dos que tinham sido tratados com meditação voltaram a apresentar sintomas de depressão.

O professor Kuyken afirmou que os antidepressivos "funcionam enquanto são tomados e são muito eficazes na hora de reduzir os sintomas da depressão", mas acrescentou que "quando as pessoas deixam de tomá-los, ficam extremamente vulneráveis a uma eventual recaída".

"O tratamento MBCT propõe um enfoque diferente; mostra às pessoas habilidades práticas. O que demonstramos com este estudo é que, quando os pacientes se esforçam, estas habilidades de meditação lhes ajudam a se manter em boas condições", destacou.

Para Kuyken, trata-se "de uma opção viável para boa parte das pessoas com esta doença" e abre-se uma via muito menos cara para os serviços de saúde, que poderiam diminuir seus custos e tratar mais pacientes ao mesmo tempo.

O estudo oferece o testemunho de um professor de matemática de 53 anos que tomou antidepressivos durante 15 anos antes de aderir ao grupo de meditação que foi objeto do estudo.

Ele explica que pratica técnicas de meditação quatro ou cinco vezes por semana, que o ajudaram "imensamente".

A meditação proporcionou "a capacidade para me levantar diante das coisas que antes teriam me derrubado, pensar em como superá-las e obter uma solução para seguir em frente", afirmou este paciente.

EFE fpb/ab

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