Medidas preventivas teriam evitado mais de 8 mil mortes no México

Patricia Vázquez. México, 8 mai (EFE).- Depois de 15 dias em alerta, o México encara as consequências da gripe suína com o relaxamento de algumas das medidas preventivas que, teoricamente, ajudaram a evitar mais de oito mil mortes - até agora, apenas 45 foram confirmadas oficialmente.

EFE |

Este número hipotético de mortes foi divulgado por Óscar Mújica, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o qual indicou que, sem as medidas preventivas assumidas pelo Governo do México, a epidemia poderia ter causado 8.605 mortes e 30 mil internações no país.

As medidas começaram a ser aplicadas no último dia 24, quando foi estabelecida a suspensão de aulas na capital mexicana, e foram relaxadas em meados desta semana com o retorno das atividades no setor público e privado, além da volta dos estudantes de educação superior e com a reabertura de espaços de lazer.

Agora, o país deverá lutar para minimizar o impacto desta crise, não só o econômico - o Governo já anunciou uma queda de 4,1% do Produto Interno Bruto neste ano -, mas também o de sua imagem no exterior, o que provocou situações de discriminação em relação a seus cidadãos.

China e Cingapura mantêm 17 mexicanos isolados por temor ao contágio da gripe, enquanto que nações latino-americanas como Cuba, Argentina, Equador e Peru suspenderam os voos com o México pela mesma razão.

O presidente mexicano, Felipe Calderón, que já manifestou publicamente sua rejeição a estas atitudes "humilhantes e discriminatórias" contra os mexicanos, pôs em dúvida sua visita oficial a Cuba, programada para meados deste ano, como resposta à suspensão de voos.

O prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, disse que a cidade concentrará seus esforços "na recuperação econômica e na promoção e defesa da imagem" do município, o mais afetado pela gripe.

Já o ministro da Saúde mexicano, José Ángel Córdova, revelou alguns dados sobre o vírus, como o fato de que 90% dos 45 mortos registrados até o momento no país apresentaram os sintomas da doença antes do último dia 23, antes da identificação de sua existência.

Por isso, muitas destas pessoas foram diagnosticadas com pneumonia, uma doença comum no México, e não foram tratadas adequadamente então.

O representante da OPAS disse que, "apesar de que a epidemia parece estar se estabilizando", é necessário continuar com as medidas de controle adotadas pelas autoridades.

Segundo os últimos dados oficiais, o número de casos confirmados subiu de 1.204 para 1.364 entre ontem e hoje, dos quais apenas 3,3% resultaram em morte.

Entre os mortos estão dez mulheres que ficaram reclusas em suas residências e que perderam a vida por "atendimento tardio".

A doença parece ter tido consequências piores em pacientes com obesidade, obesidade mórbida ou diabetes, enquanto que as crianças mostram melhor resposta ao tratamento.

Devido ao fato de as temperaturas elevadas dificultarem a propagação do vírus, Córdova lançou uma mensagem de tranquilidade aos turistas que queiram visitar o litoral mexicano, onde quase não houve casos de contágio.

No entanto, nos principais destinos turísticos do país, como Cancún e Cozumel, fontes oficiais estimaram hoje uma queda de 85% na chegada de turistas estrangeiros e informaram que 16 hotéis continuavam fechados temporariamente.

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados. EFE pvo/bba

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