Medidas de segurança deixam ruas de Pequim quase desertas antes da abertura

Pequim, 8 ago (EFE).- Poucas horas antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, as ruas da capital chinesa estão praticamente desertas devido às fortes medidas de segurança adotadas para evitar protestos e atentados.

EFE |

As autoridades chinesas decidiram hoje decretar "férias forçadas" para os moradores de Pequim, já que é muito difícil se deslocar pela cidade em função de diversos procedimentos cujo objetivo é evitar que qualquer imprevisto atrapalhe a cerimônia de abertura, que reunirá cerca de 100 chefes de Estado e membros de famílias reais.

A Praça da Paz Celestial, que reúne milhares de turistas todos os dias, está fechada nesta sexta, e a presença militar, que já é bem alta no local em dias normais, foi duplicada.

Mais de 100.000 militares e 400.000 policiais são responsáveis pela segurança na capital chinesa. A presença dos chamados "delatores voluntários" aumenta esta força para quase 1,5 milhão de membros numa cidade que tem cerca de 20 milhões de habitantes.

As autoridades locais também iniciaram uma campanha para impedir ações de ativistas que podem realizar protestos para chamar a atenção sobre as injustiças sofridas por parte do regime do Partido Comunista da China (PCCh, no poder desde 1949).

Em nota recebida hoje pela Agência Efe, a ONG Human Rights in China apontou 27 casos de advogados, acadêmicos e ativistas pró-direitos humanos que foram colocados sob vigilância policial ou expulsos aos arredores da cidade.

Além disso, ontem também foi um detido um grupo de pessoas que perdeu suas casas para a construção dos locais de competição olímpicos. Eles planejavam seu segundo protesto na Praça da Paz Celestial - na segunda-feira, tinham feito o mesmo diante da imprensa estrangeira.

Embora o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog, em inglês) ainda não tenha revelado as despesas referentes à segurança, que podem superar qualquer expectativa, Wang Wei, secretário-geral da instituição, reconheceu hoje que esta é a máxima prioridade para Pequim.

A poucos quilômetros do Estádio Nacional, ou Ninho de Pássaro, foram instaladas baterias de mísseis terra-ar. Além disso, 48 helicópteros sobrevoam a capital e 74 caças estão em estado de alerta.

No último ano, o Governo chinês apontou mais de uma vez a existência de ameaças terroristas para boicotar os Jogos. Na segunda, uma bomba explodiu na cidade de Kashgar, oeste do país e perto da fronteira com Paquistão e Afeganistão.

Segundo as autoridades, a autoria teria sido de um grupo pertencente à organização Movimento Islâmico do Turquestão Oriental (Etim), apontado como principal ameaça aos Jogos Olímpicos.

Mesmo com um reforço na segurança do regime mais militarizado do mundo, com 2,5 milhões de efetivos, grupos de ativistas tibetanos, pessoas que perderam suas casa por conta dos Jogos e até a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) conseguiu realizar manifestações hoje. EFE mz/dp

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