Medidas de Obama a Cuba são primeiro passo, diz Amorim

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, considerou nesta terça-feira um primeiro passo por parte dos Estados Unidos as medidas anunciadas pelo governo de Barack Obama para flexibilizar as relações com Cuba. É um pequeno passo na direção certa, disse Amorim a jornalistas. O importante é que isso seja um primeiro passo e que não fique se esperando gestos de Cuba para poder continuar, acrescentou, após evento no Itamaraty.

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As medidas foram anunciadas às vésperas da 5a Cúpula das Américas, quando Obama terá seu primeiro encontro com os presidentes dos países da região.

Os EUA suspenderam na segunda-feira restrições para que familiares de cubanos vivendo no país possam viajar a Cuba e o fim de condicionantes para remessas de dinheiro a parentes. Empresas norte-americanas de telecomunicações também foram autorizadas a participar de licenciamentos em Cuba.

O embargo econômico norte-americano a Cuba, vigente desde 1962, não foi derrubado. Os obstáculos ao comércio e às relações econômicas entre os dois países foram adotados pelos EUA após a adesão de Cuba ao comunismo.

O ministro Amorim acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tratar do tema durante a cúpula, mas procurando evitar constrangimentos ao presidente dos EUA.

"Agora não interessa criar uma situação para o presidente Obama. É preciso que ele entenda que a região quer ver o fim do embargo", disse Amorim.

Ainda assim, fez uma ressalva. "Não interessa criar um clima negativo (para Obama)".

Washington teme que a questão cubana domine a agenda da cúpula, que se realiza em Trinidad e Tobago entre a próxima sexta-feira e domingo, e anunciou concessões ao país exatamente para diminuir a pressão de países do continente.

A posição de Amorim destoa da externada por Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência da República. Marco Aurélio disse à Reuters nesta manhã que as medidas anunciadas por Washington são insuficientes.

"É insuficiente. A expectativa do governo cubano era de uma ampliação maior. Vamos ver se até lá (durante a cúpula) isso evolui", disse.

Cuba não é integrante da cúpula e nem da Organização dos Estados Americanos (OEA), presenças defendidas pelo governo brasileiro.

Construída há dois anos, a agenda da cúpula descarta temas como Cuba e a crise financeira internacional.

Apesar de não ser citada no documento oficial --já negociado entre os 34 países que fazem parte do evento-- o fim do embargo transitará na sua esfera e nos discursos políticos.

Não há, até o momento, nenhuma previsão de encontros bilaterais do presidente Lula com Barack Obama nem com o colega venezuelano Hugo Chávez.

(Reportagem de Natuza Nery e Ana Paula Paiva)

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