Medidas contra gripe suína diminuem casos da doença no México

Juan David Leal. México, 1 mai (EFE).- Apesar de as autoridades mexicanas terem confirmado hoje que subiu para 15 o número de mortos pela gripe suína e que os casos confirmados de pacientes infectados alcançaram 343, as medidas para conter o avanço da doença parecem estar tendo efeito, de acordo com os últimos dados.

EFE |

As boas notícias vieram sobretudo da Cidade do México, a mais afetada, onde as autoridades informaram que, nos 28 hospitais e 220 clínicas da capital, ninguém morreu nesta quinta-feira e só houve 21 novos pacientes que apresentaram sintomas compatíveis com os da gripe.

O número contrasta com os 210 casos suspeitos registrados na sexta-feira passada na cidade, com os 351 de sábado, 326 de domingo, 320 de segunda, os 346 de terça e os 194 de quarta.

Além disso, as autoridades comprovaram uma nítida redução do número de pessoas que foram aos hospitais para buscar ajuda médica.

As novas mortes divulgadas hoje não foram devido a falecimentos ocorridos nas últimas horas no país, mas pelo fato de o México já contar com os resultados de 776 testes de laboratório realizados em casos "suspeitos" detectados desde o fim de março.

Nesta sexta-feira, as autoridades de saúde mexicanas analisarão 500 outras amostras suspeitas para comprovar ou descartar a presença do vírus, o que esclarecerá ainda mais as circunstâncias em torno do desenvolvimento da epidemia, que já afeta 11 países no mundo.

O anúncio do avanço nas medidas para enfrentar o vírus ocorreu em um momento em que o México inicia, a partir desta sexta-feira, um período de cinco dias fundamentais para o combate à epidemia.

Durante esse intervalo, as atividades deveriam ser praticamente suspensas no país, e os cidadãos foram recomendados a ficar em casa, mas os conselhos não foram seguidos à risca, como foi possível ver hoje.

"São dados muito animadores, isto é o que está nos permitindo pensar que, por um lado, felizmente, o vírus não é tão agressivo (...), não é tão letal, como é o caso do vírus da gripe aviária, onde a letalidade é de 70%", disse o secretário de Saúde do México, José Ángel Córdova.

Ele assegurou que "as pessoas estão indo mais cedo" aos hospitais ao sentir os primeiros sintomas, e explicou que, quando o tratamento é adotado desde o primeiro dia, o "paciente praticamente não é transmissor" do vírus.

Para o ministro mexicano, a expansão da gripe está sendo contida "aparentemente com mais rapidez".

No entanto, as autoridades mexicanas ainda não cantam vitória e esperam que os dados dos próximos dias confirmem a possível estabilização da epidemia.

Entre hoje e terça-feira vigora um período de feriado escolar de cinco dias decretado pelo Governo para combater a doença.

Na quarta-feira passada, o presidente mexicano, Felipe Calderón, em mensagem à Nação, pediu aos mexicanos para permanecer em casa neste período, e garantiu que apenas as atividades dos setores do Governo e empresariais não prioritários serão suspensas, enquanto que continuarão em funcionamento os fundamentais.

A medida fez com que a Cidade do México amanhecesse hoje deserta, ao iniciar o feriado prolongado que inclui o Dia do Trabalho e a comemoração da Batalha de Puebla, no dia 5.

Avenidas habitualmente cheias, o trânsito fluiu sem problemas nesta manhã, e o silêncio quase sepulcral reinante contrastou com a habitual agitação desta cidade de 19 milhões de habitantes, se for levada em conta a zona metropolitana.

Milhares de mexicanos que vivem na capital abandonaram a cidade para viajar para locais como Acapulco e Cuernavaca, e para escapar de um município no qual os restaurantes só podem vender comida a domicílio, e cinemas, museus, bares e boates permanecem fechados.

Além disso, as aulas em universidades e escolas de todo o país estão suspensas desde o dia 27 e até 6 de maio, o que afetou um total de 33 milhões de estudantes no México.

No entanto, o panorama desolador começou a mudar a partir do meio-dia de hoje, quando alguns cidadãos começaram a sair às ruas, embora em menor quantidade do que se vê em qualquer outro feriado.

EFE jd/db

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