Médicos são proibidos de entrar na Embaixada do Brasil em Honduras

CARACAS - Um delegado do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) denunciou à emissora estatal de televisão venezuelana VTV que um grupo de médicos foi proibido de entrar na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa para atender supostas vítimas de gases tóxicos.

EFE |

AFP
Soldados hondurenhos e médicos da Cruz Vermelha em frente à embaixada brasileira


"Eu consegui entrar na embaixada, mas não sou médico. Infelizmente, a entrada do pessoal médico que me acompanhava não foi possível", disse o delegado-adjunto do CICV para o México, América Central e o Caribe de língua espanhola, Cristoph Kleber.

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que está refugiado na embaixada brasileira desde segunda-feira, foi uma das pessoas que se disseram afetadas pelos "gases tóxicos" lançados contra a sede diplomática.

A chanceler do Governo deposto, Patricia Rodas, disse hoje em entrevista coletiva concedida em Nova York que "fontes da inteligência militar leais a Zelaya relataram que os produtos químicos e armas de assédio foram fornecidos pelas empresas Alfacom e Intercom".

O embaixador de Honduras na Venezuela, Germán Espinal, disse à "VTV" que Mauricio Castellanos, especialista em saúde pública, conseguiu amostras de uma concentração que identificou como "cianureto com outro componente".

Já Rodas declarou que Castelhanos "recolheu amostras do ambiente dos arredores da Embaixada do Brasil em Honduras, a cerca de 300 metros do edifício devido ao bloqueio ao acesso ao local pelos militares".

Segundo Rodas, o especialista utilizou um equipamento aprovado pelo Governo americano e disse que "os resultados mostram uma concentração acima do normal de amoníaco, que é usado como gás de pimenta".

O delegado do CICV disse ter "tomado nota" do ocorrido e que "serão tomadas as medidas pertinentes para que não se repita".

Kleber não descartou que pode se tratar de algum funcionário distante dos princípios de neutralidade e discrição pregados pela entidade.

"O que menos nos interessa é que haja dúvidas sobre a neutralidade da Cruz Vermelha", afirmou Kleber, que não quis dar mais detalhes sobre o ocorrido.

Leia mais sobre Honduras

    Leia tudo sobre: honduras

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG