Médicos revelam detalhes de tratamento médico do presidente da Ucrânia

Genebra, 11 jun (EFE).- Pela primeira vez desde que o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, foi envenenado com dioxina no final de 2004, os médicos revelaram hoje como conseguiram curá-lo.

EFE |

"Definitivamente, não é habitual que um médico divulgue os dados sobre um paciente", iniciou sua entrevista coletiva o doutor Jean Hilaire Saurat, do Hospital Universitário de Genebra, mas acrescentou que o fazia por pedido expresso do governante ucraniano.

Segundo o doutor, a apresentação pretendia um duplo objetivo: fazer calar - agora que a Ucrânia se encontra em período pré-eleitoral - as alegações de certos opositores de que nunca foi envenenado, e informar à comunidade científica sobre os avanços conseguidos no tratamento destes casos, muito pouco freqüentes.

Em setembro de 2004 em plena campanha eleitoral para as eleições presidenciais, nas quais enfrentava o candidato apoiado por Moscou, Yushchenko foi envenenado com uma dose única de dioxina de entre 2 a 5 mls, uma quantidade que deveria ter sido mortal.

O presidente deve a vida provavelmente ao fato de ter vomitado imediatamente após ingerir o veneno, disseram os médicos.

Yushchenko apresentava uma concentração de dioxina até 10 mil vezes superior à quantidade admitida por um ser humano.

A substância tóxica atacou o fígado, o pâncreas e a pele, provocando lesões cutâneas por todo o corpo, e no pior momento do processo, na primavera de 2005, Yushchenko teve a cara completamente desfigurada.

Foi nesse momento que a equipe do doutor Saurat, com o apoio do médico ucraniano, Rostislav Valijnovski, que tratava o presidente começou a estudar um tratamento.

Até então se achava que a dioxina, que armazenada nos tecidos adiposos, não podia ser eliminada do corpo.

Mas os doutores descobriram que as lesões cutâneas, que formavam uma espécie de corpo estranho, absorveram e "digeriram" a dioxina, protegendo assim os órgãos do paciente.

A equipe médica identificou uma enzima que atua como um detonador e que contribui para fazer desaparecer a dioxina, e que pôs em evidência, pela primeira vez, a presença desta substância cancerígena na urina e nos sedimentos, por onde se eliminava.

O tratamento teve a colaboração das últimas descobertas no campo da medicina molecular, e atualmente 90% da dioxina que estava no corpo de Yushchenko no início, já foi evacuada.

O doutor Saurat elogiou a grande coragem do governante ucraniano que ao longo de três anos foi submetido a aproximadamente 25 operações cirúrgicas sob anestesia total.

Disse que, em dezembro de 2005, inclusive, viajou ao Iraque para saudar as tropas ucranianas três dias após uma difícil operação.

Até o momento, o principal suspeito do envenenamento foi o SBU, o serviço secreto ucraniano, herdeiro da KGB soviético. EFE vh/bm/plc

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