Médicos obtêm sucesso no tratamento a laser de tumores no cérebro com o crânio fechado

Especialistas franceses conseguiram destruir tumores metastásicos no cérebro com laser, controlando em tempo real a cirurgia através de imagens por ressonância magnética nuclear (IRM), sem abrir a caixa craniana.

AFP |

"Esta é a primeira vez que usamos uma tecnologia laser intracraniana, com o crânio totalmente fechado, associada a um controle IRM em tempo real para evitar danos colaterais", afirmou nesta sexta-feira à AFP o doutor Alexandre Carpentier que dirigiu a equipe de especialistas desta "primeira intervenção mundial em neurocirurgia" segundo a Assistência público-hospitalar de Paris.

A intervenção foi feita com anestesia local na caixa craniana através de um pequeno orifício de 3 mm pelo qual uma fibra ótica equipada com um laser foi introduzida.

Oito pacientes, que se mantiveram conscientes durante a intervenção, participaram deste teste clínico realizado sob a responsabilidade da Agência francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde (Afssaps). Os primeiros casos apareceram na revista americana Neurosurgery.

"Os pacientes sofriam de metástases cerebrais derivadas de diferentes tipos de câncer (pulmão e mama, na maioria dos casos) que se tornaram resistentes aos tratamentos (quimioterapia, radioterapia e radiocirurgia...) e que não poderiam ser operados, no estado em que estavam, com anestesia geral", destacou o doutor Carpentier à AFP.

A expectativa de vida dos pacientes era de aproximadamente três anos, acrescentou o neurocirurgião.

Ele considerou os resultados "conclusivos", sem nenhuma complicação. Em seis casos de tratamentos completos de metástases, cinco não tiveram recidivas em nove meses e meio.

Os oito pacientes tratados entre dezembro de 2006 e fevereiro de 2008, representam na realidade 15 tratamentos (9 parciais e seis completos). Em março de 2007, devido aos primeiros resultados obtidos, a equipe foi autorizada a ampliar suas indicações (tratamento de várias metástases, entre elas algumas mais graves).

"Assim que o tumor é localizado e a fibra é colocada no interior do crânio, o laser é ativado e "esquenta durante um ou dois minutos a metástase e a destrói (necrose)". Um sistema de informática permite ajustar a energia emitida pelo laser. O calor é controlado a cada três segundos para não passar de 90ºC. Os mapas da temperatura permitem prever as zonas necrosadas. Resultados que podem ser verificados logo em seguida, continuou Alain Carpentier.

"O paciente não sente nada durante a intervenção e pode sair em geral 14 horas depois", disse.

Esta forma de tratamento, bem tolerada pelos pacientes, beneficia-se de uma técnica desenvolvida com o centro MD Anderson de Houston e a sociedade BioTex (Texas).

BC/lm/sd

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