Médicos não conseguem chegar às vítimas em Gaza, diz organização

Por Sophie Hardach PARIS (Reuters) - A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) não consegue chegar até os civis doentes e feridos em Gaza, por causa dos bombardeios de Israel e talvez tenha de se retirar da área caso piore a situação de segurança, informaram funcionários do grupo na sexta-feira.

Reuters |

Após três semanas numa grande ofensiva que matou mais de 1.100 palestinos, as forças israelenses entraram ainda mais a fundo na cidade de Gaza, apesar das pressões internacionais para que o governo concorde com um cessar-fogo.

Os profissionais de ajuda humanitária dizem que o bombardeio incessante tornou o seu trabalho impossível.

"(Pedimos que Israel) garanta o acesso deles e respeite as equipes médicas e as estruturas médicas, o que é basicamente a Convenção de Genebra", disse à Reuters o secretário-geral do MSF, Felipe Ribeiro, após uma entrevista coletiva no escritório do grupo em Paris.

Sob a Convenção de Genebra, as equipes médicas e os hospitais devem ser poupados e os feridos devem ser recolhidos e atendidos.

Falando de Gaza pelo telefone durante a entrevista coletiva, a coordenadora médica Cecile Barbour disse que os bombardeios continuam apesar da promessa de Israel de fazer uma pausa diária de três horas nas hostilidades.

Cerca de 5.100 palestinos feriram-se no conflito, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas. Dos mortos, um grupo de direitos humanos palestinos calcula que 700 eram civis.

Israel diz que os combatentes do Hamas usam civis como escudos humanos. Do lado israelense, foram treze mortes até agora: três civis, atingidos por foguetes, e 10 soldados.

"Longe de estar melhorando, temos razões para acreditar que esteja piorando", disse Christophe Fournier, presidente do conselho internacional do grupo. "Os serviços de emergência e nossas equipes não conseguem ter acesso às vítimas", afirmou ele a repórteres.

Os médicos do MSF costumavam trabalhar nos principais hospitais de Gaza, mas pararam há dois dias depois que o hospital al-Quds foi atingido por forças israelenses.

Com os pacientes e profissionais palestinos presos em suas casas, o grupo disse que também teve de fechar quatro clínicas e agora toca apenas um centro pós-cirúrgico.

Duas equipes de cirurgiões, médicos e enfermeiros estão esperando para que Israel lhes garanta salvo-conduto a fim de que possam entrar em Gaza.

No início do conflito, em 27 de dezembro, os Médicos Sem Fronteiras administravam duas clínicas pediátricas e três clínicas para recuperação de cirurgias na Faixa de Gaza.

Questionado se estava considerando uma retirada geral de Gaza, Ribeiro disse: "Sim, se a situação se deteriorar, se for muito arriscado para nossa equipe, sim, podemos nos imaginar saindo. Mas, por enquanto, ainda não".

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