Médicos fazem primeiro transplante de traquéia e sem imunossupressão

(Embargada até as 23h) Barcelona, 18 nov (EFE).- O Hospital Clínico de Barcelona realizou sem imunossupressores o primeiro transplante de traquéia do mundo a uma mulher de 30 anos com graves problemas respiratórios.

EFE |

Ela tinha graves problemas respiratórios por causa de uma tuberculose que lhe causara um colapso severo do pulmão esquerdo, logo após a bifurcação da traquéia.

Paolo Macchiarini, do serviço de cirurgia torácica, explicou que transplantou, em 12 de junho, a traquéia de um homem de 51 anos morto por hemorragia cerebral, após fazer uma série de 25 lavagens para eliminar do órgão todas as células do doador e refazê-lo posteriormente com as células da própria receptora.

Graças a este processo, que utilizou células-tronco, trata-se do primeiro transplante no qual a paciente não necessitará tomar imunossupressores para evitar a rejeição de um órgão alheio, além do primeiro transplante de traquéia do mundo.

Macchiarini assinalou que a engenharia de tecidos tornou possível esta intervenção duplamente inovadora, já que a traquéia transplantada é um híbrido entre o órgão do doador e as células-tronco epiteliais de receptora, com as quais se refez.

Ele explicou que, após ser lavada com um sistema de detergentes enzimáticos, a traquéia ficou reduzida a uma estrutura, livre de qualquer antígeno do doador, à qual pouco antes da cirurgia se inseriram cerca de 100 mil células epiteliais da paciente.

Também lhe inseriram condrócitos (células de cartilagem) na parte externa do órgão, diferenciadas a partir de células-tronco procedentes de sua medula óssea.

Com este processo, o órgão, de sete centímetros, transformou-se em um híbrido mais parecido a um novo órgão da própria paciente, que foi o que se transplantou a ela.

Caso este processo não funcionasse, a única alternativa médica seria a retirada de um pulmão dela, que hoje leva uma vida quase comum, segundo o médico, cuidando normalmente de dois filhos e sem precisar tomar nenhum remédio, enquanto há poucos meses mal conseguia falar ou andar.

Segundo o doutor Paolo Macchiarini, esta inovação da biomedicina e da cirurgia pode se transformar em uma alternativa para patologias das vias aéreas superiores que, por enquanto, não podem ser tratadas com cirurgias tradicionais, como más-formações congênitas ou tumores primários.

Ele acrescentou que a aplicação clínica de células-tronco e o fato de economizar ao receptor os problemas derivados da imunossupressão representam um marco na história dos transplantes.

EFE dh/jp

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