Por Robin Emmott BROWNSVILLE, Estados Unidos (Reuters) - Médicos mexicanos usando máscaras cirúrgicas examinam na quinta-feira pedestres que atravessam a fronteira em direção aos Estados Unidos, na esperança de controlar a transmissão do vírus da gripe H1N1, que já matou até 176 pessoas.

Junto com agentes federais de saúde, eles buscam pessoas com sintomas como febre e tosse, nas pontes que dão acesso a Texas e Califórnia. Agentes alfandegários dos EUA também estão em alerta para passageiros com sintomas de gripe.

"Ontem paramos uma mulher de 60 anos de Brownsvillle com todos os sintomas da gripe suína e a entregamos para as autoridades sanitárias dos EUA", disse a agente de saúde mexicana Dora Carreón, que avaliava os pedestres na fronteira entre Brownsivlle (Texas) e Matamoros (México).

"Cidadãos mexicanos podem ter sua entrada recusada nos Estados Unidos se tiverem exames positivos para a gripe suína, embora ainda não tenhamos tido casos disso", disse à Reuters em Washington Mike Balero, porta-voz do serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras dos EUA.

O México anunciou no final da semana passada que o até então desconhecido vírus H1N1, que mistura elementos de vírus suínos, aviários e humanos, estava se espalhando rapidamente pelo país.

Nos EUA, as autoridades já notificaram 109 casos confirmados em 11 Estados, além da única morte até agora fora do México --um bebê mexicano que estava de passagem pelo Texas.

Todos os dias, até 1 milhão de pessoas cruzam a fronteira entre EUA e México. A maioria são mexicanos que vão para o país vizinho para trabalhar, fazer compras ou visitar parentes.

Mas na quinta-feira o movimento em todos os postos de fronteira estava reduzido à metade, segundo autoridades mexicanas e moradores locais. Muita gente prefere ficar em casa desde que a epidemia começou, uma tendência que deve se intensificar a partir de sexta-feira, já que o presidente Felipe Calderón ordenou que órgãos públicos e empresas não-essenciais suspendam suas atividades no México.

No posto fronteiriço de Brownsville, a exemplo do que acontece em dezenas de barreiras nos quase 3.200 quilômetros de fronteira, pedestres com sintomas são isolados, recebem máscaras e são submetidos a exames no local ou em hospitais próximos. Pessoas que cruzam a fronteira de carro também podem ser examinadas, mas com menos frequência.

Muita gente que passa pela fronteira contava estar indo aos EUA para comprar um gel antibacteriano atualmente escasso no México.

A Organização Mundial da Saúde anunciou na quinta-feira que adotará o nome apenas o nome "influenza A (H1N1)" para designar a nova doença, abandonando a designação "gripe suína", já que a doença não foi diagnosticada em porcos e o consumo da carne desses animais não representa risco de contágio.

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