Médicos estrangeiros no Haiti temem mais mortes ao deixarem país

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Médicos estrangeiros que estão tratando das vítimas do terremoto no Haiti no hospital geral do país estão muito preocupados com que muitos pacientes morram depois que eles forem embora. Basta abrir a porta do prédio e olhar para uma pilha de escombros para que eles testemunhem a magnitude da crise de saúde que o Haiti enfrenta.

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Mais de 100 corpos de estudantes de enfermagem haitianos estão soterrados por toneladas de tijolos que se tranformaram em pó e barras retorcidas, o que sobrou de uma escola de enfermagem que funcionava há cinco anos e que desabou quando o tremor de 7,0 graus na escala Richter atingiu Porto Príncipe em 12 de janeiro.

Um ônibus escolar azul destruído, com o nome "Escola Nacional de Enfermagem" em letras amarelas é claramente visível. Os médicos também podem ver fileiras de armários destruídos que balançam no segundo andar. Um jaleco ainda está em um deles.

As pessoas que estão trabalhando no hospital disseram que um verdadeiro cemitério sob os escombros tem exalado cheiro por muito tempo, um lembrete dos terríveis desafios que estão à espera dos hospitais haitianos, muitos dos quais destruídos no terremoto.

Após o desastre, que matou cerca de 200 mil pessoas, equipes médicas vindas de todo o mundo chegaram ao Haiti, incluindo cirurgiões especialistas com equipamentos de alta tecnologia.

Mas a maior parte passa a atender em outros locais ou especialidades após uma ou duas semanas, enviando seus pacientes a um sistema médico que já era fraco e que agora piorou após o terremoto.

"Acho que muitos (dos paciente) vão morrer", disse David Ansell, especialista de medicina interna do centro médico da Universidade de Rush, que está trabalhando no hospital geral de Porto Príncipe.

Milhares de sobreviventes estão dormindo fora de casa em barracas e lençóis em campos de abrigo improvisados que se espalham por todos os espaços abertos disponíveis na cidade devastada.

(Por Mica Rosenberg)

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