Médicos enxertam com êxito vasos sanguíneos elaborados com células do paciente

Os primeiros vasos sanguíneos produzidos totalmente a partir das próprias células dos doentes deram resultados promissores, segundo um estudo realizado em pacientes submetidos a hemodiálise em Buenos Aires e Katowice (Polônia) e publicado pela revista médica britânica The Lancet.

AFP |

Esses vasos biológicos, sem acréscimo de material artificial e obtidos a partir de células da pele e das veias, foram enxertados em dez pacientes de Buenos Aires e de Katowice (Polônia) entre 2004 e 2007.

Os pacientes sofriam de insuficiência renal e só podiam sobreviver por meio de hemodiálises para depurar seu sangue.

Os enxertos foram fabricados pela empresa Cytograft Tissue Engineering, de Novato, na Califórnia (Estados Unidos).

O vaso enxertado serve para instalar um sistema de hemodiálise que permite limpar o sangue do paciente, tarefa que não pode ser cumprida pelos rins defeituosos.

Diversas técnicas são utilizadas para permitir a saída e o retorno do sangue através de um acesso vascular: criação de uma fístula (passagem) arteriovenosa ou de utlização de um shunt ou bypass a partir do antebraço para permitir a depuração.

No entanto, a qualidade das veias de um doente nem sempre permite recorrer a estas técnicas, fazendo com que os médicos utilizem tubos e materiais que causam mais complicações, como infecções.

Em seu conjunto, a viabilidade do enxerto se manteve em sete pacientes (78%) dos nove sobreviventes um mês depois da implantação, e em cinco dos oito pacientes que sobreviveram seis meses depois da intervenção, destacaram os autores.

Um paciente faleceu por uma causa não relacionada à experiência e quando seu enxerto era funcional, segundo o estudo. Outro foi retirado do estudo devido a uma hemorragia digestiva ocorrida pouco tempo depois da implantação do canal.

O aperfeiçoamento e a simplificação desta tecnologia original e a utilização de processos de bioprodução poderão levar ao êxito clínico e comercial de tal produto, destacaram na revista Lancet o doutor Vladimir Mironov (Charleston, EUA) e seu colega, o professor Vladimir Kasyanov (Riga, Lituânia).

O êxito do exame clínico deste primeiro tecido biológico inteiramente elaborado a partir de amostras provenientes de pacientes (tecido "autólogo") marca um passo importante na área vascular, acrescentaram.

BC/dm

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