Cairo, 25 jan (EFE).- Vários médicos egípcios que atenderam aos feridos no recente ataque israelense em Gaza denunciaram hoje no Cairo as atrocidades cometidas e o uso de armas proibidas por parte de Israel.

Em entrevista coletiva na capital egípcia, os médicos explicaram o trabalho realizado em Gaza para amenizar a catástrofe humanitária e de saúde, que atribuíram ao uso de armas que violam as convenções internacionais.

"Que tipo de armas utilizaram para causar tanta destruição humana?", questionou o cirurgião Amre Abdul Baky, que afirmou não ter visto "nada parecido" em toda a sua vida. "Tudo estava cheio de sangue e de vísceras", afirmou.

Já o médico Ibrahim Elgeady denunciou o uso de bombas de fósforo, o que explicaria, para ele, a quantidade de corpos carbonizados que foram encontrados, entre eles os de muitas crianças.

Elgeady disse que, "em Gaza, dá a impressão de que houve um terremoto, mas sequer um terremoto poderia ter causado tanta destruição". Ele lamentou também o fato de a Faixa ter se "transformado em cinzas".

O anestesista Mohammed Othmam assegurou que a maioria das vítimas era formada por civis e criticou a falta de meios e espaço para operar nos hospitais de Gaza.

O especialista entrou na Faixa através da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, em 9 de janeiro, junto a um grupo de 11 médicos, que foi o primeiro a atravessar Gaza dos 61 facultativos enviados pela União de Médicos Árabes.

Os especialistas insistiram nas atrocidades que viram em Gaza, entre elas a amputação de membros, como foi o caso de uma criança que teve os dois braços removidos e que morreu dois dias depois da operação.

Também era comum, explicaram, encontrar corpos cheios de estilhaços, como o de um jovem que foi surpreendido pelos ataques israelenses quando brincava na escola e que acabou perdendo uma perna.

"Infelizmente, houve muitas pessoas a quem não pudemos salvar a vida", afirmou Elgeady. EFE mv/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.