Médicos defendem tratamento para reduzir nível de HIV

Reduzir o nível do HIV antes que chegue a um patamar perigoso para o sistema imunológico pode representar um importante benefício para os soropositivos, destacou neste domingo um painel realizado na Cidade do México, sede da Conferência Internacional sobre a Aids.

AFP |

Doze anos após o surgimento das drogas anti-retrovirais, hoje os médicos são aconselhados a administrar em seus pacientes o "coquetel triplo" quando o nível do HIV representa ameaça para o sistema imunológico.

Este "nível de ameaça" é variável, e a recomendação habitual é de iniciar o tratamento quando há menos de 200 a 250 células CD4 por cada mililitro de sangue, mas no relatório publicado hoje por um painel da Sociedade Internacional de Aids (IAS, sigla em inglês), pesquisadores aconselham a elevação deste padrão para 350 células CD4 por mililitro ou até mais.

Os benefícios de um controle mais rigoroso dos níveis de HIV são numerosos e incluem a redução dos índices de câncer anal, de colo e de pulmão, das doenças cardiovasculares e de problemas nos rins e no fígado, garantem vários especialistas.

"Como as opções de tratamento têm aumentado e os riscos de infecção viral podem ser melhor avaliados, a relação risco-benefício está caminhando para um tratamento mais cedo", destaca um artigo publicado pelo jornal da Associação Médica Americana (JAMA, sigla em inglês).

As novas recomendações também defendem a utilização de drogas recentemente aprovadas, incluindo raltegravir, maraviroc e etravirina, paralelamente aos tratamentos convencionais, para manter baixo o nível viral e aumentar o número de CD4.

A aplicação da nova estratégia é relativamente fácil para os pacientes de países ricos e desenvolvidos, onde há infra-estrutura adequada de diagnóstico e amplas opções farmacológicas, mas o relatório destaca que a recomendação também é aplicável aos países em desenvolvimento, por meio de fórmulas mais simples e baratas de acompanhamento e tratamento.

"O progresso com os anti-retrovirais nos países em desenvolvimento é alentador, mas recentes avanços no mundo desenvolvido precisam ser adaptados e traduzidos para o mundo em desenvolvimento", destaca o relatório da IAS.

A XVII Conferência Internacional sobre Aids será inaugurada neste domingo, na Cidade do México, com a participação de mais de 22 mil delegados, que analisarão temas científicos, sociais, religiosos e políticos ligados à pandemia, que já atinge 33 milhões de pessoas, em todo o planeta.

gbv/LR

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