Uma equipe de cirurgiões de Ohio (norte dos Estados Unidos) substituiu 80% do rosto de uma mulher, no que foi considerado o primeiro transplante total de rosto do mundo, anunciou a Clínica Cleveland, onde foi realizada a operação.

É a primeira cirurgia deste tipo feita nos Estados Unidos, e a quarta concluída com sucesso no mundo até hoje. O procedimento ocorreu há algumas semanas, sem que a clínica revelasse o nome da paciente, que ficou desfigurada em conseqüência de uma série de traumatismos e não quis ser identificada.

O hospital deve realizar uma entrevista coletiva nesta quarta-feira, após revelar a notícia na terça.

Os transplantes de rosto são polêmiocs, devido aos riscos que implicam e por serem realizados para melhorar a qualidade de vida do paciente, e não por motivos vitais de saúde.

Entre os riscos corridos pelo paciente está a degeneração dos tecidos implantados e complicações em decorrência do uso de medicamentos para evitar a rejeição que o transplantado precisará tomar pelo resto da vida.

Arthur Caplan, especialista em bioética, afirmou que importantes preocupações éticas estão envolvidas neste procedimento.

"Uma coisa é passar a vida com um rosto terrivelmente deformado, destruído, ferido. Outra é perdê-lo em uma experiência fracassada", disse ao canal de notícias CNN.

"Ninguém quer precisar lidar com essa (...) possibilidade neste rosto transplantado", acrescentou - sugerindo que, se o transplante falhar, a paciente ficará numa situação bastante complicada.

Se isso acontecer, a paciente "não poderá respirar ou comer e terá que fazer tudo artificialmente", alertou. "Imagine viver sem rosto".

Carson Strong, professor de valores e ética da Universidade do Tennessee College of Medicine, também expressou sua preocupação com os riscos potenciais de uma rejeição ao rosto transplantado.

"O caso é simplesmente anedótico. Não cria um fundamento científico para afirmar que o transplante é seguro para o paciente", disse Strong ao jornal The Washington Post.

Se o enxerto falhar, explicou, "pode-se dizer razoavelmente que o paciente ficará muito pior do que estava antes de tentar o transplante".

O primeiro trasplante parcial de rosto foi realizado em 2005 em Amiens, na França. A paciente, Isabelle Dinoire, de 38 anos, foi desfigurada por seu cachorro.

Em 2006, um chinês de 30 anos se submeteu ao transplante facial, incluindo a conexão de veias e artérias e a reconstrução do nariz, dos lábios e dos seios faciais. Seu rosto foi destruído depois que um urso o atacou quando procurava por uma ovelha perdida.

Um ano depois, em 2007, um francês de 29 anos com um tumor facial que o impedia de falar e comer normalmente também se submeteu ao procedimento.

A clínica de Cleveland é o primeiro hospital americano a aprovar a realização do procedimento.

Maria Siemionow, diretora de pesquisas em cirugia plástica do centro médico, fez a operação junto com uma equipe de sete outros especialistas.

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