Londres, 26 jun (EFE).- O médico Arash Hejazi, que atendeu a jovem Neda Soltan quando foi mortalmente ferida em um protesto no Irã, afirmou que sua morte não foi em vão e que enquanto agonizava a jovem pareceu perguntar a ele Por que?.

Em entrevista concedida ao jornal britânico The Times após fugir do Irã por causa da repressão, o médico iraniano relatou os detalhes do momento em que a jovem foi gravemente ferida por um tiro e como sua morte transformou a menina em mártir.

O médico disse que decidiu sair há poucos dias de Teerã e viajar para o Reino Unido ao perceber que ele aparecia nas imagens feitas por um telefone celular, divulgadas pela internet, e nas quais se via Neda estendida no chão.

Hejazi, de 38 anos, disse que a imagem da morte de Neda na rua o perseguirá durante muito tempo porque é símbolo da brutalidade do regime de Teerã contra sua própria gente.

"Desta maneira, ela não morreu em vão", ressaltou o médico, que admitiu que talvez nunca mais possa voltar a seu país.

Para Hejazi, Neda é o símbolo dos protestos, "ela era só uma pessoa na rua que era contra a injustiça em seu país, e por isso ela foi assassinada".

"Ela estava ali, o sangue brotava de seu peito. Ela inclinou a cabeça para olhar o ferimento, depois colocou a mão no peito. Só vi surpresa em seu rosto, depois perdeu o controle", disse.

As imagens feitas com um celular começaram a ser divulgadas na rede "CNN" e Al Jazira e seus amigos o chamavam para lhe perguntar se o homem que aparecia ajudando a menina era ele.

Nesse momento se deu conta que sua vida podia estar em perigo, por isso que decidiu deixar o Irã.

"Se tivesse sido identificado poderia ter sido detido. Podia ter sido uma das centenas de pessoas que desapareceram nos últimos dez dias... Qualquer coisa pode acontecer nesse país", afirmou. EFE vg/ma

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