Berlim, 12 ago (EFE).- Um tribunal da cidade alemã de Colônia condenou hoje um cirurgião a pagar uma indenização de 100 mil euros a uma transexual que nasceu hermafrodita e que foi transformada por ele em homem em uma operação há mais de 30 anos.

Desta forma, a corte ratificou a sentença ditada um ano atrás, segundo a qual o médico tinha violado os direitos da litigante, já que não informou a ela sobre as consequências da operação, mas não estabelecia o montante da indenização.

Os fatos remontam a 1977, quando a autora da queixa-crime, então de 18 anos e nascida sem um sexo definido, teve seus órgãos sexuais femininos internos extirpados.

A vítima, Christiane V., sustenta que se sente uma mulher apesar da operação e que foi tratada como um rapaz durante a adolescência.

De acordo com a sentença, mesmo com as técnicas da época teria sido possível fazer outro tipo de intervenção, combinada com remédios, que teria possibilitado a Christiane V. ser fisicamente mulher.

Este é o terceiro processo relativo a este caso e também a terceira derrota para o cirurgião. A vítima, agora com 50 anos, alegou nos três processos que, em consequência da operação, sofreu transtornos físicos e psíquicos, já que foi privada da possibilidade de levar uma vida como mulher.

A transexual foi tratada durante toda a sua adolescência como um rapaz, sob o nome de Thomas. A confusão vem do nascimento, já que foi identificado como um menino por apresentar um clitóris maior do que o considerado normal e que foi tido como um pênis.

Christiane V. afirma que sempre se sentiu como uma menina, apesar de ter sido educada como um homem.

Se estima que haja cerca de 120 mil pessoas com casos de indefinição sexual na Alemanha. Muitos deles são complexos de definir, já que há grande multiplicidade de variações. EFE gc-rz/bba

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