Médico de jovem em coma há 16 anos na Itália está disposto a retirar sonda

Roma, 16 jul (EFE).- Carlo Alberto Defanti, o médico que cuida de Eluana Engaro, em coma irreversível há 16 anos e a quem um tribunal autorizou que pare de ser dado alimento e água, afirmou que está preparado para retirar a sonda nasogástrica que a mantém com vida vegetativa.

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"Eu me comprometi moralmente a desligar a sonda nasogástrica caso seja solicitado. Farei com que o percurso da morte natural, interrompido pela reanimação, seja retomado", declarou Defanti em entrevista publicada hoje pelo jornal "La Repubblica".

Defanti, que foi diretor do departamento de neurologia dos Hospitais Reunidos de Bérgamo e professor da Universidade Vita-Salute, em Milão, afirmou que Eluana, de 33 anos, já disse antes do acidente que a levou a esta situação que "queria morrer se chegasse a um estado como este" e que a jovem "não pode despertar".

"Eluana não pode - e o termo usado já está errado - despertar no sentido de retomar contato com o ambiente. O estado vegetativo chega após o coma e não é confundido. O coma é muito mais fácil de diagnosticar", declarou.

"É similar a um sonho do qual não se pode despertar. Quando o paciente em coma começa a abrir os olhos e não entra em contato com a realidade, então se fala de estado vegetativo", acrescentou o médico.

Segundo ele, Eluana é um dos estados vegetativos "mais claros" que já viu.

As declarações de Defanti foram dadas um dia após o Senado abrir um procedimento para apresentar diante do Tribunal Constitucional um conflito de atribuições entre a Câmara e o Supremo após a sentença que autoriza o pai de Eluana a interromper o tratamento que a mantém viva.

Segundo fontes do Senado, onde os conservadores têm maioria absoluta, o pedido se deve à decisão de autorizar a jovem a parar de se alimentar e se hidratar e provém de "uma sentença da magistratura e não de uma lei".

Eluana Engaro sofreu em 1992 um acidente de trânsito que a deixou em coma irreversível. EFE jl/fh/fal

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