Londres, 28 jul (EFE).- Um médico britânico aposentado que financiou o suicídio de um compatriota numa clínica suíça procurou hoje a Polícia para confessar o crime e desafiou as autoridades a detê-lo.

Na delegacia, Irwin, de 77 anos, disse que, se preciso, virará "mártir" da causa daqueles compatriotas que se veem obrigados a ir a outro país para morrer.

O médico afirmou ter como apresentar à Polícia provas de que pagou parte do custo da operação com um cheque de 1,5 mil libras (1.740 euros).

Ao jornal "Evening Standard", Irwin disse que mais de uma vez ajudou uma pessoa a morrer. Ele declarou ainda que voltaria a fazer isso no caso de um doente terminal.

"Não é certo pessoas terem que viajar para morrer no exterior quando deveriam poder fazê-lo aqui, com dignidade", afirmou Irwin, que pediu à Polícia que o detenha por violar a atual legislação.

O médico disse que foi à Polícia para chamar a atenção da sociedade para a difícil situação dos familiares dos doentes terminais, que ficam expostos a penas de até 14 anos de prisão por ajudá-los a morrer.

Pelo menos 150 britânicos já se suicidaram numa clínica suíça especializada sob o olhar de amigos ou familiares.

A Polícia confirmou que amanhã interrogará o médico por ter ajudado o empresário britânico Raymond Cutkelvin a morrer em 1997, quando este tinha 58 anos.

Irwin, que vivem em Surrey, afirmou sua intenção de entregar à Polícia os detalhes de sua participação no suicídio assistido realizado na clínica Dignitas, em Zurique. EFE jr/sc

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