Mediadores para o Oriente Médio pedem acordo de paz em dois anos

Após reforçar a condenação contra os assentamentos judaicos, o Quarteto para a Paz no Oriente Médio, formado por Estados Unidos, ONU, União Europeia (UE) e Rússia, defendeu o início de negociações indiretas entre israelenses e palestinos para que um acordo de paz possa ser alcançado em 24 meses.

iG São Paulo |

AFP
Blair, Hillary, Lavrov, Ban e Ashton em Moscou

Blair, Hillary, Lavrov, Ban e Ashton em Moscou


Após uma reunião do grupo em Moscou, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, leu uma declaração do quarteto que pede à comunidade internacional que ajude a promover negociações entre Israel e palestinos para que um acordo de paz possa ser produzido em até 24 meses.

Os mediadores ressaltaram que as conversas indiretas serão "um passo importante" para reatar as negociações bilaterais diretas. A declaração acrescenta que a negociação deve caminhar para o estabelecimento de um Estado palestino "independente, democrático e viável, que viva em paz e segurança com Israel e seus outros vizinhos".

O quarteto mostrou seu apoio à Autoridade Nacional Palestina (ANP) dentro do objetivo de estabelecer um Estado, e chamou os países da região e toda a comunidade internacional a apoiar esse objetivo.

O prazo de 24 meses foi criticado pelo chanceler israelense, Avigdor Lieberman, segundo nota divulgada por seu gabinete. "A paz não pode ser imposta artificialmente por um calendário irrealista", diz o texto. "Este tipo de declaração apenas compromete as chances de se alcançar um acordo".

Situação humanitária

Os participantes da reunião de Moscou mostraram preocupação com a situação na Faixa de Gaza e o estado dos direitos humanos na região.

"Estamos profundamente preocupados com a situação humanitária em Gaza", disse o secretário-geral da ONU, que antecipou que no próximo domingo visitará o local.

Na declaração, o quarteto ressalta que a assinatura de acordos de paz de Israel com Síria e Líbano ajudaria a estabilizar a situação no Oriente Médio.

Assentamentos

Os mediadores voltaram a condenar a expansão dos assentamentos israelenses. "O quarteto exorta o governo de Israel a congelar qualquer atividade relacionada a assentamentos - incluindo expansão natural - a desmontar colônias erguidas desde março de 2001 fora de limites demarcardos, e a não demolir ou retirar pessoas de suas casas em Jerusalém Oriental", disse Ban.

O quarteto condenou o anúncio feito por Israel, semana passada, de que permitiria a construção de 1.600 casas em Jerusalém Oriental, região ocupada por Israel desde 1967.

O anúncio da construção foi feito durante a visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, ao país, o que foi interpretado pela Casa Branca como um "insulto" e um recuo em seu esforço de paz.

Durante a reunião, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, declarou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu uma resposta "útil e produtiva" aos seus questionamentos sobre as construções em Jerusalém Oriental, em uma conversa telefônica na quinta-feira.

Segundo Hillary, Netanyahu propôs uma série de "medidas de construção de confiança". Nenhum dos países, entretanto, divulgou detalhes sobre as medidas propostas por Netanyahu.

O porta-voz do departamento de Estado dos EUA, P.J. Crowley, afirmou que o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, deve se encontrar com Netanyahu e com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, na região neste final de semana.

'Fim da violência'

Horas antes da reunião, um caça israelense atacou ao menos seis alvos na Faixa de Gaza . Israel afirmou que o ataque foi uma resposta a um outro perpetrado pelo grupo extremista palestino Hamas, que teria lançado na quinta-feira um míssil contra Israel, matando um agricultor tailandês.

O quarteto pediu o "fim imediato da violência e do terror" na região. "O quarteto está profundamente preocupado com a contínua deterioriação em Gaza, incluindo a situação humanitária e de direitos humanos da população civil, e ressalta a urgência de uma resolução para a crise de Gaza", disse Ban.

Com BBC e EFE

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