Mediadores da OMC dizem que acordo comercial encontra-se à vista

Por Jonathan Lynn GENEBRA (Reuters) - Um acordo sobre o comércio global aguardado há muito tempo encontra-se agora à vista, afirmaram na terça-feira mediadores para as negociações nas áreas industrial e agrícola.

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No entanto, um dia depois de a Organização Mundial do Comércio (OMC) ter divulgado novas propostas para os produtos agrícolas e industrializados, empresas e fazendeiros dos EUA e da União Européia (UE) protestaram devido ao fato de os textos revisados não terem ido longe o suficiente para abrir os mercados dos países em desenvolvimento.

'Qualquer um pode perceber claramente agora o cume que vocês estão tentando escalar', afirmou o embaixador da Nova Zelândia na OMC, Crawford Falconer, que preside as negociações para o setor agrícola.

'Tivemos de atravessar a camada de nuvens e atingimos uma região com baixa concentração de oxigênio, mas a missão agora é que, com base nisso, poderemos seguir adiante e concluir nossa tarefa', disse em uma entrevista coletiva.

Os textos revisados e divulgados na segunda-feira representam o estágio mais recente da rodada de negociações de Doha, iniciada no final de 2001, mas desde então prejudicada por desavenças entre as nações ricas e as pobres. O objetivo do processo é abrir os mercados mundiais e ajudar os países em desenvolvimento a exportarem mais.

Os novos textos criam novos caminhos para que um encontro de ministros acerte o esboço de acordo adotando as decisões políticas de peso a respeito da profundidade dos cortes nos impostos e nos subsídios.

Há ainda alguns detalhes a serem acertados, não há previsão sobre quando ocorreria esse encontro.

As negociações no setor agrícola são fundamentais para toda a rodada de Doha, e as negociações nas outras áreas aguardam o resultado do diálogo sobre os produtos agrícolas, o que fez com que o embaixador do Canadá junto à OMC, Don Stephenson, que comanda as negociações sobre os produtos industrializados, manifestasse frustração devido à ausência de progressos claros até agora.

'O que me faz ter esperanças é que estamos chegando perto do fim do processo. Estamos chegando em um ponto no qual as questões agrícolas tornam-se claras o suficiente para garantir a adesão de todos', afirmou, em uma entrevista coletiva.

ELEMENTOS CENTRAIS

Os elementos fundamentais de um acordo final, porém, não estão ainda claros.

Os EUA cortarão os subsídios que distorcem o mercado agrícola eliminando a concorrência dos produtores de países pobres. A UE abrirá seus mercados de produtos alimentícios cortando os impostos cobrados nesse setor. E os países em desenvolvimento abrirão seus mercados para as empresas de manufaturados vindas dos países ricos.

Entre os demais elementos do acordo, estariam incluídos uma intensificação das trocas comerciais sul-sul e a liberalização de setores de serviços como o bancário e o de telecomunicações.

Os países em desenvolvimento desejam ficar isentos de alguns cortes fiscais a fim de proteger os que dependem de uma agricultura de sobrevivência e seus setores industriais ainda frágeis.

Já os países ricos afirmam não poder convencer seus produtores dos sacrifícios que os aguardam caso não consigam apontar algum ganho no acesso a mercados de outros locais.

As negociações sobre os novos textos serão retomadas na próxima semana, e um encontro de ministros deve ocorrer algumas semanas mais tarde.

Resta pouco tempo para que se adotem essas medidas, já que os negociadores precisam de vários meses para preencher o esboço de acordo a ser acertado pelos ministros.

Os 152 países-membros da OMC acertaram concluir a rodada até o final deste ano, antes que haja a próxima mudança de governo nos EUA, em 2009.

Na Alemanha, maior economia da Europa e maior exportador do mundo, o lobby empresarial chamado BDI disse que as novas propostas tornam difícil a conclusão da rodada de Doha de forma ambiciosa, conforme se desejava.

'A Comissão Européia (Poder Executivo da UE) e os países-membros da UE precisam pressionar pela redução das tarifas industriais nos países emergentes', afirmou Carsten Kreklau, maior autoridade do BDI.

'Uma redução adotada somente pelos países industrializados é algo inaceitável.'

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