Mediador voltará a se reunir com Governo e oposição do Zimbábue

Johanesburgo, 8 ago (EFE).- O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, mediador nas negociações para resolver a crise política do Zimbábue, deve viajar amanhã a Harare para se reunir com o presidente Robert Mugabe e os líderes da oposição, Morgan Tsvangirai e Arthur Mutambara.

EFE |

Mbeki voltará à África do Sul em domingo, segundo um breve comunicado de imprensa divulgado hoje pelo Ministério de Assuntos Exteriores sul-africano.

A governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), liderada por Mugabe, e o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de Tsvangirai, negociam há duas semanas a formação de um Governo de união nacional, em um lugar não revelado de Pretória e com um embargo à imprensa.

Nas conversas também está um grupo derivado do MDC, dirigido por Mutambara.

O porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, confirmou de Harare que as equipes negociadoras retornaram ao Zimbábue para consultas com seus respectivos líderes.

"Os funcionários do MDC e da Zanu-PF voltaram da África do Sul para se reunir com seus líderes", disse Chamisa, que evitou fazer comentários mais específicos.

O embargo à imprensa, que segundo o memorando de entendimento assinado pelas partes em 21 de julho se aplica só ao conteúdo das discussões, propiciou informações contraditórias sobre o andamento das negociações.

O vice-ministro de Informação zimbabuano, Bright Matonga, disse na quarta-feira à Agência Efe que Mbeki viajaria no dia seguinte a Harare para se reunir com o presidente Mugabe e com Tsvangirai.

No entanto, segundo a rede sul-africana de rádio e televisão "SABC" na quinta-feira, o porta-voz de Mugabe, George Charamba, disse na capital do país que não estava prevista na data uma reunião entre o chefe de Estado e Tsvangirai e que a chegada de Mbeki também não era esperada.

A Zanu-PF e o MDC estão sob intensa pressão da comunidade internacional para resolver a crise do Zimbábue e esta semana emitiram um comunicado no qual pedem a seus seguidores que ponham fim à violência política no país, o que foi interpretado pelos analistas como um sinal de que um acordo está iminente.

Segundo uma minuta de acordo divulgada na terça-feira pelo jornal sul-africano "The Star", Mugabe ocuparia a Presidência, que se transformaria em um cargo cerimonial, e Tsvangirai seria o primeiro-ministro com poderes executivos.

No entanto, Mugabe tachou a informação divulgada pelo jornal de "absoluta bobagem", mas confirmou que as negociações progrediam bem.

O principal jornal de economia da África do Sul, o "Business Day", cita em sua edição de hoje fontes que afirmam que Mugabe e Tsvangirai podem chegar a um acordo em Harare no próximo domingo.

O "Business Day" afirma que Mugabe, que governa o Zimbábue desde a independência do país do Reino Unido em 1980, fez vários contatos com Tsvangirai desde que começaram as conversas entre seus respectivos partidos a fim de encontrar pontos em comum sobre como compartilhar o poder.

O Governo zimbabuano não reagiu perante esta nova versão da imprensa.

O MDC, que domina o Parlamento eleito em 29 de março, mas ainda não convocado por Mugabe, reivindica um posto de responsabilidade executiva no Governo de unidade que poderia surgir das negociações.

A Zanu-PF, no entanto, anunciou pouco depois de começar as reuniões com o MDC que não aceitará nenhum acordo para formar Governo que não seja dirigido por Mugabe, já que ele ganhou o segundo turno do pleito presidencial em 27 de junho e ofereceu a Tsvangirai só a terceira Vice-Presidência do país.

A oposição e a comunidade internacional rejeitaram o resultado do segundo turno já que Mugabe participou sozinho, pois Tsvangirai, que tinha vencido a primeira etapa em 29 de março, se retirou alegando que seus partidários foram alvo de violênci por parte de membros do MDC. EFE jm/ab/rr

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