Genebra, 20 jul (EFE).- O professor suíço Jean-Pierre Gontard, um dos mediadores para facilitar uma saída pacífica ao caso dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assegurou que nunca levou dinheiro à guerrilha, em entrevista publicada hoje no jornal NZZ am Sonntag.

O Governo colombiano disse que informações recuperadas dos computadores que pertenceram ao ex-número dois das Farc, "Raúl Reyes", morto em uma operação militar colombiana contra um acampamento da guerrilha no Equador, indicam que Gontard entregou US$ 500 mil a um emissário do grupo armado na Costa Rica.

Após a acusação, a Promotoria colombiana abriu uma investigação contra Gontard e o Governo de Bogotá anunciou a intenção de pôr fim à mediação internacional para entrar diretamente em contato com as Farc.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Suíça disse que a missão à qual a Colômbia se referia remontava a 2001, quando o mediador do país colaborou para conseguir a libertação de dois empregados da farmacêutica Novartis, que tinham sido seqüestrados.

Na entrevista ao "NZZ am Sonntag" publicada hoje, Gontard afirmou que contribuiu para "estabelecer o contato entre a companhia e as Farc para que o acordo ao qual chegaram em 2001 pudesse se realizar depois da libertação dos reféns" "As mensagens (eletrônicas) atribuídas a 'Raúl Reyes' e a mim estão relacionadas às modalidades práticas e, conforme acertado, não mencionavam o nome da empresa".

A Novartis defendeu publicamente Gontard neste caso e assegurou que este "não realizou nenhum pagamento" de sua parte para obter a libertação dos dois trabalhadores.

O Governo suíço também reagiu às acusações colombianas e pediu a Bogotá que "cessem os ataques contra o mediador".

A Colômbia respondeu que desejava manter "relações amigáveis e profundas" com a Suíça e que a investigação judicial do mediador suíço não dependia do Governo. EFE is/db

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