Mediador entre Paquistão e talibãs rejeita corte islâmica

Islamabad, 3 mai (EFE).- O clérigo radical que atua como mediador nas conversas entre os talibãs e o Governo paquistanês, Sufi Mohammed, rejeitou hoje a nomeação de dois juízes à frente de um tribunal islâmico, cuja criação tinha sido anunciada pelas autoridades regionais.

EFE |

Segundo o canal privado "Geo TV", Amir Izzat Khan, porta-voz do grupo islâmico Tehreek-e-Nafaz-e-Shariat Mohammadi (TNSM), disse não estar satisfeito com a nomeação e a tachou de "unilateral".

O TNSM de Sufi Mohammed atuou como mediador no polêmico acordo assinado em fevereiro pelas autoridades da Província da Fronteira Noroeste.

Em virtude do acordo, a sharia (lei islâmica) deve ser aplicada na região de Malakand, em troca que os talibãs deponham as armas no Vale de Swat, que fica nesta demarcação.

Ontem à noite, o ministro de Informação da Província da Fronteira Noroeste, Mian Iftikhar Hussein, ofereceu uma entrevista coletiva na qual anunciou a criação de um tribunal de apelações islâmico, dentro do acordo para implantar a sharia.

Hussein disse que o Tribunal Superior de Peshawar designou dois juízes de sua própria corte para dirigir o tribunal.

"Após cumprir as demandas do maulana Sufi Mohammed para criar um tribunal de apelações islâmico funcional, ele deve agora cumprir seu compromisso de pressionar os grupos armados para que deponham as armas", disse o ministro regional, segundo a imprensa paquistanesa.

Hussein disse que a decisão foi tomada levando em conta as exigências do clérigo radical, mas o grupo rejeitou hoje a nomeação destes juízes.

Sufi Mohammed já tinha deixado claro que considera "antiislâmicas" a democracia e a Justiça paquistanesa.

O clérigo tinha suspendido as conversas com as autoridades após o reinício das ofensivas militares contra os fundamentalistas em vários distritos do norte paquistanês, apesar de na sexta-feira ter mantido encontros com o Governo da Província da Fronteira Noroeste.

Enquanto o diálogo está em risco, o Exército trava combates com os talibãs nas regiões tribais e em várias demarcações relativamente próximas a Islamabad, nas quais disse ter matado cerca de 200 fundamentalistas.

No início de abril, os talibãs tinham avançado de seu reduto no Vale de Swat para áreas vizinhas, como Dir, Shangla e Buner - a 100 quilômetros da capital -, o que gerou preocupação na classe política paquistanesa e em Washington.

O Exército disse ter recuperado a capital de Buner e está em meio a uma ofensiva para expulsar os fundamentalistas do distrito. EFE igb-amp/an

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