Mediador da ONU recomenda que o Polisário renuncie à independência

Nações Unidas, 21 abr (EFE).- O enviado especial da ONU para o Saara Ocidental, Peter Van Walsum, recomendou hoje em um comparecimento perante ao Conselho de Segurança que a Frente Polisário adote uma postura realista e renuncie a uma possível independência da ex-colônia espanhola.

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A informação foi dada após a reunião do Conselho pelo embaixador da África do Sul, Dumisani Kumalo, que atualmente ocupa o cargo da presidência rotativa, enfatizando que o diplomata holandês falou "a título pessoal".

Kumalo assinalou que a avaliação de Van Walsum "se contradiz" com o último relatório sobre esta matéria do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que recomendou pressionar o Marrocos e o Polisário para que intensificassem as negociações que começaram no ano passado.

"A diferença é que Van Walsum disse em sua recomendação que a opção realista é assumir que a independência pode não ser possível e que a Frente Polisário poderia não alcançar essa meta", afirmou o embaixador sul-africano.

"Minha reação é que se nos colocamos dessa forma, teremos que dizer aos palestinos que sejam realistas e esqueçam de seu Estado".

Kumalo afirmou assim que o Conselho decidiu basear a elaboração de uma próxima resolução sobre o conflito do Saara Ocidental no relatório entregue por Ban, e não na opinião pessoal que o enviado especial lhes transmitiu em seu comparecimento e em um relatório escrito.

"Seria injusto pedir realismo somente ao povo saaráui porque dá a impressão de que se dá mais importância a uma parte do que a outra", opinou o embaixador.

Rabat mantém que sua proposta de outorgar um regime autônomo ao Saara Ocidental é a única possibilidade realista de acabar com o conflito que se iniciou depois que o território foi anexado em 1975.

Por sua parte, o Polisário sustenta que qualquer plebiscito sobre o futuro do Saara tem que incluir a opção da independência.

As duas partes realizaram no mês passado nos arredores de Nova York sua quarta rodada de negociações sem conseguir se aproximar de posições consensuais, mas acordaram em se reunir de novo em uma data que ainda será determinada. EFE jju/fb

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